O jornal Mainichi Shinbum saiu com uma matéria sobre as diferenças entre a cultura otaku na Coréia e no Japão. A discussão se centra no fato de aspectos como o "moe" e os maid café não se criarem em Seul. Decidi traduzir algumas partes mais "significativas", aliás, não é uma discussão sobre cultura otaku como um todo, mas sobre a parte "complicada" da coisa, como lolicon, pin-ups, idols, maid cafés etc, e sua presença na cultura otaku dos dois países:
Por Valéria Fernandes
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De acordo com a matéria, os Maid Cafés fecham em média 8 meses depois de serem abertos porque "Há um conceito muito próximo do 'moe' na cultura otaku coreana. Há a palavra 'haakku', que significa ficar excitado, ou sentir-se bem. Mas esta palavra não se aplica a coisas como o mundo dos jogos ou dos cosplays aqui, se aplica ao material ligado aos desvios sexuais," especialista em entretenimento adulto Chan Nan Woo da Jake Media diz para a Weekly Playboy. "Na Coréia, Lolicon é ilegal e Maid Cafés são um fracasso."
"Os serviços sexuais na Coréia são diretos. Eles dizem aquilo que você pode fazer e é por isso que você paga," diz Chan. "Para os coreanos, é um conceito absolutamente alienígena sentar com uma garota bonita a noite toda e não obter nada além do que um papo inocente como acontece nos nightclubs japoneses, ou nos Maid Clubs onde você não pode tocar nas mulheres de nenhuma forma. Não há forma desse tipo de lugar se tornar popular."
Comparando com o Japão:
"Maid Cafés continuaram a ser populares mesmo depois que o boom provocado por Densha Otoko passou. Maid Cafés que realmente prosperaram pensam em abrir filiais e conseguir investimentos de grandes companhias no seu processo de expansão," Harukomugi, representante do site Maid Café Go, diz para a Weekly Playboy. "E com a competição entre os cafés se tornando mais dura a cada dia, agora há uma grande pressão sobre as maids que devem oferecer um atendimento de alta qualidade."
"Há cerca de 20 maid cafés na área de Tóquio. Eles se expandiram particularmente no distrito de Ikeburu. Para as mulheres otaku, há os Butler Cafés e cafés onde as funcionárias se travestem de forma que pareçam homens [***Esse tipo de café aparece em vários mangás femininos, e é tema central de uma das histórias de Kayono***]. Todo o tipo de lugares diferentes estão abrindo para as mulheres otaku.
Acrescente a isso que existem cerca de 40 estabelecimentos voltados somente para o público otaku [***masculino***]. Acrescente ainda salões de massagens com maids e coisas do gênero e você está olhando por cima para uns 100 negócios voltados exclusivamente para as fantasias otaku com maids e coisas semelhantes," Harukomugi diz.
"De certa maneira, a indústria otaku é como um buraco negro," o economista Takuro Morinaga diz para a Weekly Playboy. "É realmente difícil calcular quanto a indústria otaku realmente traz de contribuição para a economia mainstream." Para quem não sabe o que é "moe" trata-se de um outro nome para o kawaii, e personagens "moe" são aquelas bonitinhas, aparentando serem muito jovens, com ar de inocência, e, não raramente passivas, daí, para o lolicon e a pornografia é um pulo. Os coreanos perceberam bem o espírito da coisa... A matéria é interessante, porque além de traçar as diferenças entre Coréia e Japão, fala da inserção das mulheres nessa indústria com os butler cafés e outros.