Crítica: Vale a pena ver Ponyo?
Por: Anime Pró - 22/06/2010
No último sábado rolou a primeira pré-estréia do filme “Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar” e o Anime Pró estava lá pra contar sobre o filme.
Depois de um inevitável atraso, todos os convidados foram guiados até a sala de cinema do Playarte Bristol, localizado próximo à estação Consolação do metrô de São Paulo, para degustar o longa de HayaoMiyazaki, cultuado diretor japonês.
Mesmo sendo uma pré-estréia, havia um público bem variado de crianças a um senhor de idade que se sentou próximo a mim. Vi aquilo como uma experiência ótima de analisar como diferentes pessoas de idades distintas reagiriam ao filme.
Começado o longa, percebeu-se que ele estava em japonês com legendas em português, o que ia contra boatos de fãs em fóruns dizendo que a versão legendada usaria como base a versão americana do filme, que continha atores como NoahCyrus e TinaFey na dublagem.
O filme conta a história do jovem Sosuke que mora numa casa no topo de uma colina numa cidade portuária. Ele mora com sua jovem mãe e sempre está em contato com seu pai, que trabalha em um navio. Um dia, quando brincava no mar, Sosuke encontrou uma peixinha diferente, que parecia que tinha um rosto. Ele a levou para casa a deu-lhe o nome de Ponyo. Fujimoto, pai de Ponyo, a leva de volta para o fundo do mar. A peixinha foje para ficar ao lado de Sosuke, e com isso gera um desastre natural que ameaça inundar a cidade de Sosuke.
Um dos grandes problemas que sempre se nota nos filmes do StudioGhibli é que parece que foram feitos apenas para crianças orientais, que têm uma paciência maior que as ocidentais. Quando A Viagem de Chihiro passou no Brasil não era estranho vermos crianças inquietas lá pela metade do filme, porque o ritmo de um filme japonês é mais lento para crianças acostumadas a piadas pastelão e de escatologia presentes em filmes ocidentais para crianças. Aparentemente o “problema” foi resolvido: Ponyo conseguiu deixar as crianças da sala quase quietinhas durante o filme (o “quase” se deu porque o filme foi exibido em japonês, então a criança ficava perguntando para a mãe o que tava acontecendo).
Mas o filme é bom? Depende do que você espera. O Studio Ghibli é especialista em fazer obras de arte em forma de animê, mas nem todos os seus filmes são parecidos. Não tem como comparar um filme mais infantil e família, como “Meu Amigo Totoro”, com um filme de mais ação como “Princesa Mononoke”. A profundidade de “Nausicaa’ não é vista em “O Reino dos Gatos”, assim como o drama de “O Túmulo dosVagalumes” não aparece no romance de “O CasteloAnimado”. E onde Ponyo se encaixa? Ele está ali bem do lado de Meu Amigo Totoro e beeeeem longe de Princesa Mononoke. Inclusive, quando Ponyo se torna humana ela fica muito parecida com a garota Mei de “Totoro”.
O filme traz uma linguagem e uma visão bem infantil, evidenciada pela própria música. Mas nem por isso o filme desagrada os adultos, que ganham seus momentos de humor nas atitudes de Lisa (a mãe de Sosuke) e sua hilária briga com seu marido. O senhor de idade que se sentou próximo a mim ria em diversos momentos e em outros mantinha um sorriso de satisfação com o que via, provavelmente ao perceber que o filme traz muitas cenas emocionantes. Pode não ter a ambientação épica de PrincesaMononoke, mas traz pequenas cenas que emocionam qualquer um.
E, visualmente, o filme é lindo. O mar é belíssimo, parecendo que foi feio com aquarela. Toda a animação de Ponyo é tradicional e o filme como um todo é muito agradável de se assistir.
É muito fácil dizer que um filme do StudioGhibli é uma obra de arte obrigatória. É muito fácil também criticar esse filme dizendo que “Miyazaki se perdeu” ou “Nuncamais veremos um filme como Princesa Mononoke”. O que não é muito fácil é um diretor como ele criar filmes que emocionam e ainda passam uma bela mensagem, então Ponyo é mais do que recomendado para se assistir.
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