Tá aí uma produção difícil de adaptar. Dos diretores japoneses famosos no ocidente, o que chegava mais próximo da "vibe" de SX nos filmes "live" de samurai era o Akira Kurosawa. Tanto que seus duelos eram usados em produções ocidentais e podemos dizer que o Nobuhiro pesquisou muito do ocidente para fazer o título dele.
A princípio teriam que evitar o erro que cometeram na transposição de "Blade of The Immortal" do mangá para o anime, que foi fazer personagens limpos e fluidos demais para a tela. Se fizerem errado corremos o risco de ver um "Samurai de Boutique" e isso seria ruim.
O meu medo é que isso ocorra também com "Sobrenatural". Para adaptar certo eles precisarão criar um visual sujo e envelhecido, para dar atmosfera orgânica ao mundo.
Aliás, essa é uma crítica que eu faço a uma pá de desenhistas brasileiros que só querem saber de desenho limpinho e criticam outros trabalhos achando que um traço mais sujo seja ruim. Criticar isso é gostar de desenhos que deixam os personagens como bonecas artificiais. Quando isso acontece sabem o que ocorre?
A alta definição das TVs e dos equipamentos de produção involuntariamente deixam a mostra a artificialidade e expõem os erros de escolha, pois no momento em que deveríamos ver mais detalhes orgânicos, como a sujeira e rugas na pele do personagem alguém brilhante tascou uma plastificação lisinha no traço e nas cores. E aqueles efeitos belos de aquarela (guache) e nanquim somem todos.
O que poderiam fazer para dar certo...
-Fotografia. O Último Samurai, por exemplo, é um filme que tem boa fotografia e esse recurso conta muitos pontos.
-Trilha Sonora. A do OVA era muito boa. Uma atualização para o filme seria suficiente.
-Guarda Roupas. Roupas envelhecidas e sujas, típicas de cidades com ruas de terra e camponeses.
-Cenário. Locações em parques e em áreas de Kyoto seriam boas pedidas. Algumas vilas de pescadores viriam bem a calhar também.
-Atores. O ponto mais frágil do filme. Teria que ser um meio-sangue. Nipo-europeu, ou algo assim. De preferência um homem com traços e movimentos delicados e femininos. Alguém, magro e frágil, mas que transmita força seria o ideal.