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Menos do mesmo, por favor

01 - 02


Tokyo Babylon pela JBC, no intervalo de X.
Tenho MESMO que comentar sobre isso?

A melhor frase que eu teria a dizer é "Mais do Mesmo". Eu não tô com muito ânimo de falar sobre Babylon nem vou falar nada de diferente em relação ao que falei sobre outras clampescências. Porque vou perder meu tempo – e o do leitor – me repetindo?
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Sobre X, só tenho uma coisa a dizer: quando eu era adolescente, havia uma novela chamada Roda de Fogo, de Lauro César Muniz (se a minha memória não falha). Na esteira do sucesso da novela, a Rádio Transamérica do Rio de Janeiro – que nos anos oitenta, era uma boa rádio – fez uma paródia chamada Roda de Bobo, que ia ao ar exatamente após o fim da novela. Os locutores da época se revelaram bons comediantes, mas havia um problema: Roda de Bobo parodiava os capítulos com cerca de uma semana de diferença. Com a última semana da novela, se o esquema se mantivesse, a piada perderia a razão de ser (e foi o que aconteceu com a vindoura paródia da novela Mandala, "Bandalha", que durou uma semana a mais do que devia – e ficou sem graça). A gangue da Transamérica daqueles tempos solucionou o problema de forma simples: o último capítulo foi dedicado a matar todo o elenco das formas mais esdrúxulas possíveis. A minha sequência favorita foi quando enfiaram todo o núcleo "pobre" da novela em uma kombi, o carro derrapa e... BUUUUUMMMMMMMMMMM. Assim, todas as pontas soltas se fechavam – porque não tinha ninguém mesmo para viver nenhuma ponta solta, exceto o protagonista e o vilão Mário Liberado (paródia de Mário Liberato – que aliás era um vilão gay e hoje em dia "estranhamente" esquecido no momento em que o politicamente correto do star system global enfia casais açucarados de lésbicas a cada novela. Esse detalhe virou motivo de piadas impagáveis ao longo da novela de mentira, claro). Precisa imaginar o final?

Em certas histórias, acho que extremos para pôr tudo nos eixos são necessários. Até a Janete Clair fez algo assim, quando assumiu uma novela (Anastasia, a Princesa Esquecida) com personagens demais, enrolação demais e história de menos: inventou um terremoto que matou o grosso do elenco, restando um número limitado de personagens com quem ela podia trabalhar. Mas no caso de X, é melhor fazer como Roda de Bobo: jogar todo mundo dentro da Kombi e deixar que o carro derrape. E sinceramente, acho que o longa de X refletia essa mesma sensação...
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Em todo caso, há coisas mais interessantes tanto no mundo dos mangás e animes, quanto dos quadrinhos e animações não-japonesas. Vamos nos ater ao primeiro grupo.
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Buda, do Tezuka. Os fãs correram atrás? Não. Até vejo gente em fóruns dizendo que odeiam o traço "redondinho" do autor. Princesa e o Cavaleiro foi esnobado pelas mesmas pessoas que clamaram por Fruit Basket, clamam por Naruto (aliás na Anime Do 59, apareceu um comentário muito sensato sobre a bitolação de certa área do fandom que prefere ver Naruto longe do Brasil para manter sua série favorita nas suas mãos, continuar baixando o material na net, ver longe do povão para mantê-la dentro dos seus malditos purismos). Buda vendeu tão bem nas livrarias que a Conrad mensalizou o material.

Porque isso? Porque ela atingiu um público MAIOR do que o comprador de mangá de sempre, em muitos aspectos: Você pode encontrar menções a Buda em revistas informativas, seções de livros, livrarias online que lidam com material religioso... a escolha é vasta. Buda é uma dessas coisas que apelam a mais seres humanos do que a meia dúzia de pessoas que fazem parte do mundo lá fora do fandom. Não admira que eles estejam anunciando um DB completo para livrarias também – o próximo passo é levar o leitor de sempre, das bancas, para FORA delas.

Buda é uma dessas coisas que ajudam a manter um mercado de pé, porque não são para poucos. O que nos faz pensar se nossas bancas não se tornaram tão guetantes quanto o mercado direto americano, à sua própria maneira. E explica porque se investem em coisas como X, Tokyo Babylon, Fushigi Yuugi...
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Não vou me repetir. Já falei o bastante em outras colunas sobre minorias artificiais, sobre distribuição, sobre o diacho. Mas o fato de Buda ter se plantado em território novo e mal explorado – convenhamos, precisamos listar a quantidade de trecos que não vendem que foram plantados no mar das livrarias?

Eu tenho minhas reservas quanto ao formato "Álbum Europeu". Um motivo para isso é o gosto do brasileiro por volume. Isso não dá para escapar. Num álbum temos menos de cinquenta páginas, e podemos ter que pagar vinte, trinta paus por ele. Pelos mesmos vinte, Buda nos oferece 214 páginas. Quem você acha mais vantajoso?
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No mundo não-real, o mundo das maiorias artificiais, o otaku decidiu que o traço redondinho de Tezuka não era com ele, e Princesa e o Cavaleiro foi recebida de costas por eles. Injustiça total com um dos autores de quadrinhos mais importantes da história da arte sequencial. E que jamais fez histórias para meia-dúzia de gatos pingados. Se o mangá se tornou uma linguagem própria, isso tudo se deve a Tezuka. Que não teria garantido mensalidade nas livrarias se fosse mesmo "coisa de velho".
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Duvido que Gen tenha vendido tão bem, mas convenhamos, ainda podemos encontrar esse material na íntegra nas livrarias. Essa é uma das vantagens. Dá para apostar em tiragens menores e voltar e voltar e voltar. Mas é preciso marketing para fazer os leitores correrem atrás desse material. O resto fica por conta de popularidade, qualidade... e porque não dizer, boca-a-boca dos leitores. Uma amiga minha leu Gen por recomendação de uma professora. Nas bancas, seria visto como material "velho".

Talvez essa seja a saída para materiais injustamente esnobados pelos fanboys. Será que materiais como Rosa de Versalhes e Cyborg 009 sobreviveriam nas bancas?
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Talvez hajam saídas, afinal.
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