Tokyo Babylon pela JBC, no intervalo de X.
Tenho MESMO que comentar sobre isso?
A melhor frase que eu teria a dizer é "Mais do Mesmo". Eu não tô com
muito ânimo de falar sobre Babylon nem vou falar nada de diferente em
relação ao que falei sobre outras clampescências. Porque vou perder meu
tempo – e o do leitor – me repetindo?
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Sobre X, só tenho uma coisa a dizer: quando eu era adolescente, havia
uma novela chamada Roda de Fogo, de Lauro César Muniz (se a minha
memória não falha). Na esteira do sucesso da novela, a Rádio
Transamérica do Rio de Janeiro – que nos anos oitenta, era uma boa rádio
– fez uma paródia chamada Roda de Bobo, que ia ao ar exatamente após o
fim da novela. Os locutores da época se revelaram bons comediantes, mas
havia um problema: Roda de Bobo parodiava os capítulos com cerca de uma
semana de diferença. Com a última semana da novela, se o esquema se
mantivesse, a piada perderia a razão de ser (e foi o que aconteceu com a
vindoura paródia da novela Mandala, "Bandalha", que durou uma semana a
mais do que devia – e ficou sem graça). A gangue da Transamérica
daqueles tempos solucionou o problema de forma simples: o último
capítulo foi dedicado a matar todo o elenco das formas mais esdrúxulas
possíveis. A minha sequência favorita foi quando enfiaram todo o núcleo
"pobre" da novela em uma kombi, o carro derrapa e... BUUUUUMMMMMMMMMMM.
Assim, todas as pontas soltas se fechavam – porque não tinha ninguém
mesmo para viver nenhuma ponta solta, exceto o protagonista e o vilão
Mário Liberado (paródia de Mário Liberato – que aliás era um vilão gay e
hoje em dia "estranhamente" esquecido no momento em que o politicamente
correto do star system global enfia casais açucarados de lésbicas a cada
novela. Esse detalhe virou motivo de piadas impagáveis ao longo da
novela de mentira, claro). Precisa imaginar o final?
Em certas histórias, acho que extremos para pôr tudo nos eixos são
necessários. Até a Janete Clair fez algo assim, quando assumiu uma
novela (Anastasia, a Princesa Esquecida) com personagens demais,
enrolação demais e história de menos: inventou um terremoto que matou o
grosso do elenco, restando um número limitado de personagens com quem
ela podia trabalhar. Mas no caso de X, é melhor fazer como Roda de Bobo:
jogar todo mundo dentro da Kombi e deixar que o carro derrape. E
sinceramente, acho que o longa de X refletia essa mesma sensação...
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Em todo caso, há coisas mais interessantes tanto no mundo dos mangás e
animes, quanto dos quadrinhos e animações não-japonesas. Vamos nos ater
ao primeiro grupo.
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Buda, do Tezuka. Os fãs correram atrás? Não. Até vejo gente em fóruns
dizendo que odeiam o traço "redondinho" do autor. Princesa e o Cavaleiro
foi esnobado pelas mesmas pessoas que clamaram por Fruit Basket, clamam
por Naruto (aliás na Anime Do 59, apareceu um comentário muito sensato
sobre a bitolação de certa área do fandom que prefere ver Naruto longe
do Brasil para manter sua série favorita nas suas mãos, continuar
baixando o material na net, ver longe do povão para mantê-la dentro dos
seus malditos purismos). Buda vendeu tão bem nas livrarias que a Conrad
mensalizou o material.
Porque isso? Porque ela atingiu um público MAIOR do que o comprador de
mangá de sempre, em muitos aspectos: Você pode encontrar menções a Buda
em revistas informativas, seções de livros, livrarias online que lidam
com material religioso... a escolha é vasta. Buda é uma dessas coisas
que apelam a mais seres humanos do que a meia dúzia de pessoas que fazem
parte do mundo lá fora do fandom. Não admira que eles estejam anunciando
um DB completo para livrarias também – o próximo passo é levar o leitor
de sempre, das bancas, para FORA delas.
Buda é uma dessas coisas que ajudam a manter um mercado de pé, porque
não são para poucos. O que nos faz pensar se nossas bancas não se
tornaram tão guetantes quanto o mercado direto americano, à sua própria
maneira. E explica porque se investem em coisas como X, Tokyo Babylon,
Fushigi Yuugi...
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Não vou me repetir. Já falei o bastante em outras colunas sobre
minorias artificiais, sobre
distribuição, sobre o diacho. Mas o fato de Buda ter se plantado em
território novo e mal explorado – convenhamos, precisamos listar a
quantidade de trecos que não vendem que foram plantados no mar das
livrarias?
Eu tenho minhas reservas quanto ao formato "Álbum Europeu". Um motivo
para isso é o gosto do brasileiro por volume. Isso não dá para escapar.
Num álbum temos menos de cinquenta páginas, e podemos ter que pagar
vinte, trinta paus por ele. Pelos mesmos vinte, Buda nos oferece 214
páginas. Quem você acha mais vantajoso?
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No mundo não-real, o mundo das maiorias artificiais, o otaku decidiu que
o traço redondinho de Tezuka não era com ele, e Princesa e o Cavaleiro
foi recebida de costas por eles. Injustiça total com um dos autores de
quadrinhos mais importantes da história da arte sequencial. E que jamais
fez histórias para meia-dúzia de gatos pingados. Se o mangá se tornou
uma linguagem própria, isso tudo se deve a Tezuka. Que não teria
garantido mensalidade nas livrarias se fosse mesmo "coisa de velho".
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Duvido que Gen tenha vendido tão bem, mas convenhamos, ainda podemos
encontrar esse material na íntegra nas livrarias. Essa é uma das
vantagens. Dá para apostar em tiragens menores e voltar e voltar e
voltar. Mas é preciso marketing para fazer os leitores correrem atrás
desse material. O resto fica por conta de popularidade, qualidade... e
porque não dizer, boca-a-boca dos leitores. Uma amiga minha leu Gen por
recomendação de uma professora. Nas bancas, seria visto como material
"velho".
Talvez essa seja a saída para materiais injustamente esnobados pelos
fanboys. Será que materiais como Rosa de Versalhes e Cyborg 009
sobreviveriam nas bancas?
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Talvez hajam saídas, afinal.
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