Damas, cavalheiros e o resto: Estou de bom humor.
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Motivo um: Embora Fruit Basket seja o tipo de material que como leitor,
me dá calombos, uma notinha adicionada, que provavelmente passou
desapercebida a muita gente, levantou meu radar: A JBC irá lançá-lo em
circulação nacional. Leia-se, não setorizado.
Motivo dois: O canal Animax(nada a ver com a revista homônima) virá aí.
E já chamou a mesma JBC para trabalhar a adaptação dos animes. Como
diria o esquartejador – e que clichê ele diria – vamos em partes.
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O lado bom da dessetorização é óbvio: significa distribuição nacional. E
para tanto, é necessária uma tiragem maior do que uma tiragem média
feita para vendagem no sul e sudeste, feita para render em
redistribuição de encalhes. Sinal que esse material tem que render para
que se continue distribuindo a nível nacional.
Me pergunto se Fruit Basket tenha sido a melhor escolha de título para
isso. O Fábio Sakuda, da coluna Shonen Jidai da Anime Pro, comentou um
dado curioso em uma lista de discussão: há realmente MAIS publicações de
shoujo(para garotas) do que de shonen(para garotos), mas em compensação
os shonen vendem mais. Isso aconteceria porque shoujo ainda é material
de gênero. Já shonen é lido por homens, mulheres, adolescentes,
crianças, adultos.
Claro – isso é lá. W.I.T.C.H. – que surgiu com um marketing
completamente voltado às meninas e se deu muito bem – é uma leitura
simples, honesta e agradável, e eu não vou ser menos homem por admitir
isso. Mas é constrangedor para um homem ter que pegar aquela revista na
banca, com brinquinhos e cordões que se de um lado, mercadologicamente
são um achado, do outro são um espanta-garoto de meter medo. E não acho
que os garotos estejam errados.
A bola da vez IDEAL de uma iniciativa como essa seria Naruto. Não
adianta. BT'X poderia ser um bom escolhido não fosse um pequeno detalhe:
ele tem a rejeição do público-base sem ter em contrapartida um apoio
FORA do mesmo. Não temos os desenhos animados de B'TX nem seus
brinquedos(que parecem ser legais). Seria arriscado, ms acredito que ele
talvez até pudesse compensar isso com um subtítulo do tipo "Os
Cavaleiros do Futuro!" Oportunista demais?
Ora, marketing é oportunismo.
Não que Fruit Basket seja um bicho papão. Não é um traste como Fushigi
Yuugi. Pode ser lido por qualquer menina de dez anos, diferente de Angel
Sanctuary. Não tem grandes boiolagens até onde pude ver – o que evita a
neura de se preocupar com a ala reacionária da mídia. É apenas uma
história em quadrinhos para meninas, feita sob medida para
licenciamentos na área de papelaria para as mesmas(capas de caderno,
papéis de carta, borrachinhas perfumadas etc). Como leitor, para mim é
bobagem. Estou longe de ser considerado público-alvo para esse material.
Mercadologicamente, pode não ter sido uma escolha tão ruim.
Mas para o papel que ele vai desempenhar, seria melhor que houvesse algo
de apelo para um público maior do que "apenas as meninas" ou "apenas os
garotos"(quantas meninas REALMENTE vão ler Berserker?). Haveria lugar
para Fruit Basket em levas posteriores. Sem traumas.
E cá entre nós: de que adianta abrir a distribuição e difundir se o
preço do "volume completo" é excludente?
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O sistema "meio volume" sempre foi mais eficiente para atingir um
público maior. Bolso conta. Nesse sentido, o volume completo só
funcionou(parece ter funcionado, uma vez que mais e mais se investe
nele) porque o mercado é voltado para o fã, não o leitor.
De-setorizar é abrir o leque para os leitores, estender a mão para quem
está a distância – e que não tem acesso ao novo. Nesse sentido, mandar
um volume de R$ 9,80 para as bancas pode ser o equivalente a estender
uma mão fechada.
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A JBC também se beneficia de uma outra novidade: A chegada do canal
Animax, do Grupo Sony. E tenho certeza de que devem disponibilizar o
canal para todos os sistemas de televisão por assinatura, diferente da
Jetix(que num primeiro momento foi retirada da grade da TVA para dar
lugar ao nefando canal Disney, que tem a proeza de ser um canal com
trocentos desenhos e NENHUM me interessar).
Porque acho isso? Porque dos grandes grupos de comunicação, ele é o
único que não tem uma televisão dedicada a desenhos animados. A Turner
tem a Cartoon e a Boomerang; a Disney tem a Jetix e o próprio canal que
leva seu nome(embora a Disney não seja só isso, e seu canal seja de
"materiais família"); a Nickeloedeon, que foi um dos primeiros canais
dedicados ao gênero e é um dos mais sólidos no seu nicho, pertence ao
mais do que forte grupo Viacom, que está muito feliz com a grana que Bob
Esponja e os Anjinhos lhe dão; A Warner tem a WBKids(que aqui no Brasil
é só bloco da Warner; a Fox parece ter se desinteressado do nicho(e olha
que ela gerenciava seus desenhos bem melhor do que a Warner e a Disney;
Batman era um tremendo desenho, voltado ao público mais adulto, na Fox.
Quando a Warner puxou o material para a WBKids, veio uma temporada
terrível e infantil, que afundou a série).
A Sony não tem NADA. E eles querem meter a mão nessa cumbuca. Porque
eles disponibilizariam um canal para ser pago por poucos, como a Disney
fez ao chegar na TVA?
E de quebra, eles vão pegar um público mais adulto com isso. Talvez
agora as editoras se coçem para uma coisa chamada ANÚNCIOS. Eles já tem
sua mídia especializada na divulgação de suas revistas para um público
de poder aquisitivo e opinião formada, que não é necessariamente otaku:
Imaginem quando os homens de 30 anos, formados, trabalhando, com filhos,
descobrirem coisas como Cowboy Bebop.
A Cartoon vai ter que suar com seu Adult Swim nacional.
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