ANIME PRÓ»»CANAIS»»COLUNAS»»TOWER OF STRENGHT


Forma e conteúdo
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01 - 02


Gente, eu tô cansado. Sério.

Pode não parecer, mas eu não sou um rabugento. No entanto, duas colunas minhas recentes já foram movidas pelas pedradas que recebo. Fico de pé, mas isso está criando um efeito colateral: estou deixando de falar de outras coisas por conta de reações exaltadas que acabam me forçando a uma resposta – a última graças a Deus ganhou um foco mais racional por razões óbvias. Além disso, eu também tenho mais o que fazer e o leitor tem mais o que ler.

Geralmente eu apelo para colunas com múltiplos temas quando o tempo está apertado(e ultimamente está), e nenhum desses mesmos temas consegue encher uma página inteira. Mas agora é diferente. Preciso esticar as pernas e falar de coisas mais agradáveis...
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Deu aqui mesmo: Estão usando a plataforma PSP para lançar filmes. Sinceramente, acho esse conceito muito interessante...
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Tecnologia e mídia sempre estiveram diretamente relacionados. As animações que nossos pais e avós adoravam na maioria eram feitos para cinemas, com orçamentos maiores. Quando se aventou a idéia de desenhos animados feitos para a televisão, surgiu o problema: eles eram muito caros. Logo veio uma inovação que mudaria a história da animação para sempre: a animação capturada, onde se desenham diferentes partes de um personagem, prontos para serem cambiados em diferentes poses possíveis graças às maravilhas da matemática combinatória. Dêem uma olhada no Fred Flintstone. Um tronco, algumas poses diferentes de braços, algumas expressões diferentes de olhos, algumas posições diferentes de pernas, e temos um personagem para ser animado a baixo custo.

O nível só voltaria a subir lá pelo final dos anos noventa, quando se deram conta de que quanto mais complexo o traço do personagem, mais limitada seria sua movimentação justamente pelo tempo de execução do personagem. Vide coisas como He-Man, com personagens que se moviam como bonecos articulados. No seu clássico Batman – The Animated Series, Paul Dini e Bruce Timm simplificaram ao extremo o visual dos personagens para poder dedicar mais tempo de produção a narrativa e movimentação mais elaborados. Ao lado das inovações temáticas de "Os Simpsons", essas produções ajudaram a tirar a animação americana da lama em que qualitativamente afundou a partir de meados dos nos setenta – cochilo que durou tempo o suficiente para o Japão se tornar uma potência nesse terreno em território internacional. Os japoneses investiram não na técnica de animação, mas de narrativa, o que faz com que desenhos antigos continuem impressionando em certos momentos. Ashita no Joe impressiona, mesmo com uma animação tosca, porque a narrativa emprestada dos faroestes italianos conduz o olho do espectador o tempo todo, aliado a uma carga de drama extremamente intensa à qual não dá para ficar indiferente. E em Rosa de Versalhes, prestem atenção à linguagem de cortes usada para estabelecimento de tensão na cena em que, após muita enrolação, Maria Antonieta tem que se dirigir à amante do rei, Du Barry, para evitar um problema maior..

Essa criatividade narrativa segurou as pontas da animação japonesa por muito tempo, e criou uma verdadeira escola. Hoje, veio o dinheiro para aplicar na técnica. E sem tanta falta de recursos, se improvisa menos...

A propósito, não estou falando nos palitinhos da Gainax em Karekano. Experimentar é uma coisa, enganar é outra. Mas vamos voltar ao assunto.
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Vamos esperar o retorno desses filmes para PSP. Porque eles criam algo novo: a possibilidade de você assistir a filmes em qualquer canto, usando uma plataforma portátil. É lógico que pode dar certo e pode não dar. Mas convenhamos: se der certo, quanto tempo vai levar até que se façam filmes e animações DIRETAMENTE PARA A PLATAFORMA?
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Coisas como estas são observadas por pessoas que tem não apenas visão comercial, mas capacidade para pô-la em prática. Diz a lenda que, no longa-metragem de Macross, "Do You Remember Love", por um único fotograma uma lata de Budweiser ocupa a tela como um todo durante a batalha final do filme, embutida como um dos muitos mísseis disparados em combate. Preciso confirmar, mas eu acredito – e se for, mensagem subliminar é isso aí. Isso acontece porque animes – e mangás – no Japão são parte de todo um negócio que movimenta milhões por ano. E que envolve investidores que querem ter um retorno de alguma forma, e esse retorno está longe de ser baixo.

Há possibilidade de convergir interesses de investidores para desbravar um novo território de divulgação e clientes? Há. Mas para isso ele tem que crescer. Já falei muito disso em outras colunas e não quero me repetir, mas o fato é: o mercado tem que ser aberto na marra para poder atrair o interesse de todos os que poderiam injetar dinheiro nele.

O ponto mais nevrálgico é esse: forçar a criação pela demanda. A mão-de-obra já existe. E para sobreviver, se volta para o exterior quando se dá conta que o mercado é pequeno. Algumas pessoas vêem esses artistas como vendidos, mas o fato é: Levante as mãos aqueles que ouviram falar de Mike Deodato, o desenhista de Hulk e Homem Aranha, quando ele era Deodato Borges Filho.

O outro, e igualmente dramático, é remover a mentalidade de que quadrinho e desenho animado é coisa ou de moleque ou de maluco. Há alguns anos, foi feito um programa sobre quadrinhos que, se não me falha a memória, era chamado "Comicmania", no canal nove do Rio de Janeiro, parte do grupo CNT. Ele foi enfiado para lá na madrugada, sujeito a mudanças de horário injustificadas – o público acabava sendo vencido pelo sono. Mas a apresentadora apareceu nos jornais, havia um público seco para ver o programa, houve divulgação entre o público que assistia o antigo Top TV na Record...


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