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Discutindo, discutindo...
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01 - 02 - 03


A coluna de hoje foi praticamente escrita em listas de discussão ativas e com membros com algo entre os ouvidos, que podem ser um recanto muito estimulante na internet. É a todos os que participaram com suas declarações que dedico a Tower of Strength de hoje, que começa com uma resposta dada a minha coluna anterior onde mencionei que Bilal, Moebius e companhia no Brasil só interessam a jornalistas de caderno cultural: Tive como resposta uma declaração que não está errada: Bilal "é um dos artistas mais bem sucedidos da HQ européia. Seu último álbum, '32 de Dezembro', foi editado na França com uma tiragem de 425 mil exemplares (e vendeu, caso você esteja se perguntando), a quarta mais alta entre TODAS as HQs francesas no ano passado!"

Garanti que me retrataria caso tivesse falado alguma besteira. E relendo meu texto eu percebi que não, eu não acabei dando a entender que ele não vendia na França - até porque não estava falando de lá exatamente. Mas o quadrinho de Bilal, ao menos que conhecemos, interessa por aqui a "jornalista de caderno cultural", sim, no sentido que nos soa como um quadrinho elitizado. Um outro participante da lista alegou, compreensivelmente, que não é só o Enki Bilal mas sim 90% do que se conhece do quadrinho franco-belga é conhecido e lido por uma pequena elite. Isto ocorreria não pelo elitismo do autor, mas porque quadrinho franco-belga para adultos no Brasil "é e sempre foi 'quadrinho de rico'. Comprar um gibi da Abril sempre saiu mais em conta que comprar álbuns da Martins Fontes..."

No entanto, isso vale para os álbuns de Asterix, produtos acessibilíssimos em conteúdo(e menos caros comparativamente falando do que um Bilal da vida). O formato álbum elitiza no sentido que aliena compradores de menor poder aquisitivo. Não que eu ache o problema insolúvel: o formato que a Panini utilizou inicialmente, ao entrar com a dobradinha Marvel/DC no Brasil, se aplicaria perfeitamente a álbuns europeus caso alguém queira publicá-los. No entanto, não funcionaria com produtos mais experimentais e elitizados, e sim com produtos assumidamente mais populares (como a série de automobilismo "Michel Valliant", que está para virar filme, por exemplo).

Mas mostra que muito do cerne da questão repousa na acessibilidade financeira do material ao seu público. E esse problema não é exclusivo dos quadrinhos europeus. Atinge o mangá e o quadrinho em geral no Brasil também.
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Ao mesmo tempo em que essa discussão pipocava, acontecia uma discussão similar na Anime-BR, que contou com várias pessoas, inclusive a colunista vizinha, Valéria Fernandes(que mencionou essa discussão na sua última coluna - e o Marcel Goto da Speedlines - se manifestando sobre esse assunto. Levantaram-se alguns pontos interessantes, como a queda de vendas dos mangás em 2002 e 2003; o fato de que o mercado para anime e mangá se tornou restrito ao fandom; o da viabilidade de uma antologia no sentido de renovação para formato de publicação no Brasil - e quem sabe uma forma de atingir mais leitores. Tudo muito digno de se levar em conta com cuidado.

Primeiro: Não temos mais blockbusters como antes. Há quem sinta saudades do que era, há prefira como está(com mais materiais orientados a leitores mais velhos e provavelmente com mais bala na agulha no bolso) e há quem veja nisso um sinal de consolidação. O Goto colocou um ponto importante que tomo a liberdade de adicionar: "Basicamente o problema é que, lançando só histórias em seus próprios volumes independentes, ao invés de almanaques como a Jump, um lançamento não puxa o outro, e o mercado só cresce se os leitores existentes desembolsarem mais dinheiro pra comprar os novos lançamentos, não está se atingindo público novo."

Sempre concordei com isso e com a necessidade de uma antologia regular, grossa e BARATA. E de repente, veio o seguinte comentário do membro da lista Daniel Fontes:

"Mas por outro lado, estive pensando... quanto custa um jornal aqui no Brasil? R$2,00? R$2,50? Isso por que é diário. E se fosse semanal? Sim, eu pensei se não seria possível lançar uma publicação aos moldes da JUMP aqui no Brasil usando um esquema tipo o utilizado pelos jornais, até mesmo com as folhas soltas, sem cola ou grampos. Se for ver, a qualidade gráfica vista em um jornal hoje em dia seria mais que suficiente para atender, ao menos tecnicamente, uma publicação destas. Pelo menos é o que eu acho.

"Mas ainda ficaria faltando um número adequado de pessoas para comprar a publicação, ela teria que ter uma tiragem mínima para que o preço de custo (e de capa) fossem interessantes. Isso exigiria um bom estudo da editora interessada. Será que seria uma boa idéia? Jornal costuma ser barato (mesmo os regionais) e a qualidade costuma ser razoável...". Aqui minha linha de raciocínio dá um passo para o lado e entra em outro terreno: a antiga Editora Brasil-América Limitada, vulga Ebal.
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Eu queria muito ver alguém tomar o prédio da empresa e transformar aquilo numa mega-editora de novo. Ela fica num dos piores lugares da cidade, em frente ao estádio do Vasco da Gama(sou Flamengo^_^). Não nego que eu tenha fatores afetivos enolvidos aqui. Eu visitei o lugar quando era criança. Era um prediozaço, naquele estilo dos meados do século passado. Ainda existe, mas não serve para nada. Foi uma experiência meio mágica quando era criança, que foi chamuscada quando mais de uma década depois, voltei lá na época de sua morte anunciada. A editora só editava a Cinemim, com máquinas do tempo do onça, e fazia acabamentos de livros infantis para editoras menores. Era como se fosse um mausoléu, você passava por trocentos corredores até chegar em um lugar onde estivessem trabalhando em alguma coisa.

Acho em mim diz que revitalizar a Ebal(ou tentar criar algo com o mesmo peso, embora eu veja isso meio que com ceticismo hoje em dia) seria o primeiro passo para revitalizar a indústria brasileira de quadrinhos - DE VERDADE. Mas a Ebal é uma mera alavanca, aqui, para que eu possa falar sobre as seguintes possibilidades(que na sua maior parte independem de ser a Ebal ou não):



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