A ADV não dá ponto sem nó. Seu novo lançamento será uma série de dvds
intitulados "Animinis". Com um custo reduzido, em um tamanho menor(três
polegadas - o mesmo usado para compactos no Japão, e que corresponde a
aquela depressão no centro de uma bandeja de cd player), cada um desses dvds
virá com o custo de cerca de sete dólares e virá com um episódio completo.
Iniciando com Robotech, a linha terá continuidade com outros títulos, como
Super GALS! e Azumanga Daioh - ou seja, ou títulos de sucesso esperado, ou
títulos mais episódicos por natureza.
A idéia é excelente. Evoca o velho e saudoso compacto, defenestrado da
indústria fonográfica e responsável pela eclosão e sucesso do Rock
Brasileiro num primeiro momento.
Porque o compacto desapareceu do mercado brasileiro? Bom, a culpa nesse caso
foi dos lojistas. Consta, quase como uma lenda urbana, sempre mencionada mas
também sempre sem maiores dados, que lá pelos idos dos anos oitenta, uma
reunião dos lobbies de lojistas removeu o compacto do mercado fonográfico.
Bom dizer que outras tentativas foram estragadas pela atitude dos lojistas:
Bandas como Zero e Plebe Rude se lançaram através de Mini-LPs, com um número
reduzido de músicas. Não adiantou: esses discos eram vendidos nas lojas pelo
preço de um cd normal. O mesmo aconteceu com uma tentativa de lançar "Maxi-Singles"
por volta de 1993: Não adiantou lançar materiais de gente de sucesso, em um
estojo "fino" como os usados em cds de computador.
O compacto foi extremamente importante para a nossa música. Nas palavras do
produtor Liminha, no encarte do CD "Geração 80", que compila os compactos
que fizeram história na história do BRock, "O compacto permitia aventuras de
estilo, teste de mercado, a descoberta de novos talentos de forma certeira,
barata e rápida". Ele
ainda
defende essa bandeira, mas eu recomendaria o formato reduzido adotado
pela ADV, o de três polegadas. Para justamente evitar que os lojistas abusem
de novo - Um formato diferenciado tornaria visível a compradores e lojistas
que aquilo não foi feito para ser vendido ao preço de um cd de quinze
faixas. Bom lembrar que no Japão, esse formato de cd reduzido também é usado
nos compactos de música(se bem que eles tem um bônus que nós - talvez graças
a Deus - não temos: o fato de que o Karaokê é uma mania nacional por lá.
Quantas vezes os compactos japoneses não trazem "versões para Karaokê" das
duas músicas contidas no disquinho?).
Quanto caberia em termos de estocagem um episódio único em um DVD de três
polegadas? Não sei, mas proporcionalmente, a julgar pela relação de
capacidade entre um cd-rom pequenininho de 52 MB e os tradicionais de 700,
já dá para se ter um episódio disponível, que cabe na carteira e está pronto
para vendagem em lojas de conveniência e afins.
Não dá para negar que implementar uma iniciativa similar por aqui seria
coibir a ação de vocês sabem quem. Em um país do sudeste asiático, lançaram
uma versão "starter kit" do windows justamente para acessibilizar o programa
a uma população maior, e assim evitar que todo mundo comprasse o programa
pirata. Talvez essa seja uma boa saída, por mais inconveniente que possa
parecer em termos de espaço físico. Afinal de contas são trocentos
disquinhos, se você for um completista.
Por outro lado, um DVD em loja está na faixa dos trinta reais. Com quatro
Mini-DVDs a cinco reais, pagaria-se menos. Esse é o ponto: seria uma opção
mais barata para quem quer acompanhar uma série e procura desculpas
esfarrapadas para sair baixando na net o que já foi lançado no Brasil.
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Enquanto isso, longe das amarras dos guetos dos fãs radicais, a Abril lança
seus decanos quadrinhos Disney em revistas de um real e dezesseis páginas.
Já vimos isso antes. A idéia é boa: compensar a ausência de um volume
razoável de páginas(não adianta, o Brasileiro GOSTA de volume) pelo preço de
acesso imediato. A Abril já tentou isso antes com aquele Digimon Made in
China. A Camargo e Moraes tentou com três materiais nacionais muito ruins.
Curiosamente, me foi passado que o número um de cada uma das revistas da
Camargo e Moraes vendeu relativamente bem - e despencou horrorosamente no
segundo número. Se for verdade, é sinal que a fórmula não era o problema. O
problema era o conteúdo.
A fórmula Disney, de histórias isoladas e curtas, tende a funcionar muito
bem com esses materiais. Compra-se, lê-se e esquece. Tenho minhas dúvidas se
funciona bem com materiais seriados e de periodicidade mais espaçada. No
entanto, reflete o mesmo movimento da ADV: baratear para acessibilizar. E me
parece que nos EUA isso é menos um problema do que uma opção.
Num momento em que o mercado precisa crescer, que a economia parece estar
dando sinais de reativação, é necessário criar o hábito de leitura de
quadrinhos. E isso só vem com o barateamento. Eu estou gostando de ver a
atual linha editorial da Abril. Claro, os heróis estão muito bem na Panini.
Mas eles ou investem em material barato e acessível(a nova linha Disney),
Edições que podem ter preços elevados mas são realmente destinados a
colecionadores dispostos a pagar por isso(caso do Donald de Barks e de
"Aninha, Bonita e Gostosa" de Bill Elder, sucessos garantidos(Simpsons e
materiais derivados da Cartoon Network), e materiais numa faixa de preço
mais elevada mas com retorno garantido de seu público - Sim, falo de Witch,
e espero que Monster Allergy tenha o mesmo desempenho, sendo voltado a um
público mais infantil e menos dividido por classificações de gênero.
Espero com ansiedade
Kylion, o terceiro título da Buena Vista Comics italiana ao lado destes
dois - que como um contraponto a Witch, parece ser voltado para garotos e
tem uma ambientação de ficção científica. Com esses títulos e materiais como
a bela série de álbuns
L'Esprit du Temps
de Benjamin Lacombe, vem se consolidando uma das mais interessantes
movimentações estéticas dos quadrinhos recentes, que combina mangá,
quadrinhos americanos e mesmo a tradição do quadrinho comercial europeu mais
clássico, como Yoko Tsuno de Roger Leloup, Dani Futuro de Gimenez e Mora, e
outros, muitos outros, que não despertam interesse dos fãs de quadrinho
europeu por aqui porque eles estão ocupados demais venerando Moebius, Bilal
e toda a velha guarda da Metal Hurlant, com suas histórias "mais profundas"
que só interessam a jornalistas de caderno cultural.
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