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Slayers, RPGs, Chonchu, CLAMP, Marvel...

É incrível que tantas semanas sejam semanas onde não há nada a se dizer e de repente, acontecem muitos anúncios e fatos a se comentar de uma tacada só.

Para começar, o próximo mangá a sair no Brasil, e pela Panini: Slayers . Não é o meu favorito, mas é um material muito competente dentro do que se propõe - tive oportunidade de ler alguma coisa na época em que isso saiu nos Estados Unidos.

Achei uma boa escolha. Temos um precedente de público: Holy Avenger. Aliás, eu já disse que se Slayers estivesse sendo publicado na época, provavelmente a obra de Cassaro e Awano infelizmente não teria ido tão longe. Não deixa de ser curioso, porque ambas tiveram origens similares: vieram de revistas de rpg - a Dragon Magazine Japonesa e a Dragão Brasil - cresceram para fora delas e foram bem mais longe. O público que lia a boa e velha Holy, um nicho que permaneceu órfão após o fim da série(infelizmente qualquer iniciativa no sentido de dar continuidade ao material tinha que ser imediata) provavelmente vai consumir com alegria as estripulias de Rina Inverse e companhia.
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Eu sou jogador de rpg; usualmente tenho mais contatos com jogos importados(calma que raramente mestro qualquer coisa; não tenho cacife para montar coleções imensas e caríssimas de Mekton Zeta, Fading Suns e Exalted, para citar jogos que aprecio). Muita gente confunde os rpgs, cuja melhor definição seria a de "jogos de representação". com o gênero de fantasia medieval que é o mais popular entre o meio. É compreensível.

Mas é um erro. O fato é que o mundo dos rpgs é bem maior do que o seu gênero de maior popularidade. Nele encontramos de tudo. Terror, ficção científica, comédia, ambientações históricas, e até... jogos ao estilo anime. O mais popular lá fora é o Besm, cuja desnecessária versão D20 está prometida pela Devir, mas ele não é o único - desde adaptações de séries de anime como Robotech e a linha de suplementos de Besm que incluem Hellsing, Trigun, Utena, Slayers e agora Evangelion, passando por pequenas bizarrices como o rpg genérico de Shoujo Heartquest - você consegue se imaginar passando seis meses jogando semanalmente como um personagem de Marmalade Boy? Eu não quero nem pensar nisso.

Mas vamos voltar ao foco incial: dos três jogos que eu citei, lá no começo desse bloco, dois são animescos - Mekton Zeta é um jogo de robôs gigantes ao estilo Gundam/Macross, e Exalted é um mundo de fantasia exótico, sem elfos, anões nem nada que remotamente lembre "O Senhor dos Anéis". Até porque embora eu goste do bom e velho Tolkien, o mundo da fantasia também é muito maior do que um escritor só. O terceiro, Fading Suns, é um jogo de ficção científica muito distante da estética dos animes, por outro lado.

Mas o que eles têm a oferecer aos quadrinhos e animação?

Mundos prontos de bandeja.

Rpgs, ou roleplaying games, oferecem antes de mais nada cenários totalmente organizados. Num manual de rpg, temos geografia, raças, povos, línguas, personalidades e informações necessárias para contar qualquer história que possa ser contada dentro de um jogo. E para um roteirista que queira trabalhar nesse cenário, são dados todas as diretrizes básicas para ele criar um personagem ali dentro... e bagunçar até certo ponto com tudo.

Heavy Gear, a série de computação gráfica exibida há um ou dois anos pela Fox Kids, é baseada num dos universos de rpg mais ricos e cheios de potencial já publicados(pela Dream Pod 9). Infelizmente, um pensamento que tem mais cara de pressão de produtor de televisão desperdiçou todo um universo cheio de políica, guerra fria, tensão, combates e dramas que, bem escrito, poderia não fazer feio perto de um Gundam clássico. Apesar de todas as qualidades e sutilezas do cenário, preferiu-se apostar num roteiro ridículo e numa nota de pé de página dentro do universo do jogo - as lutas de robôs gigantes gladiadores. Coloque-se um protagonista à beira da fedelhice e está pronto o desastre.

Duvido que vão tentar utilizar o universo de Heavy Gear de novo para nenhum projeto na televisão, o que é uma perda e uma pena.

Mas isso é uma mostra do que têm os rpgs a oferecer.
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As histórias curtas de Ethora na Dragão Brasil parecem ser o primeiro passo para um projeto maior. É bom saber que a Talismã não pensa apenas em Arton, o mundo de Holy Avenger. Entendo que eles tenham seu diferencial em relação a Arton - o cenário, apesar dos clichês tolkienianos, tem alguns aspectos próprios que eventualmente são até mais profundos do que o mundo de Holy Avenger(e não há muito demérito quanto a isto - Arton a nível de jogo é um mundo introdutório, assim como o finado Mystara), e os desenhos de Érica Horita vendem muito bem esse peixe para um público que se acostumou ao estilo da outra Érica, a Awano. Mas assim como há outros gêneros dentro do rpg, deveria se investir em outros gêneros dentro dos quadrinhos - e se eu não gosto da ambientação pós-White Wolf de títulos como Trevas, Era do Caos e Crepúsculo, reconheço que eles têm um público cativo que se confunde com o público que ama verdadeiros filminhos como "Anjos Rebeldes" e "Underworld".

Por outro lado, a linha Vertigo da DC nunca vendeu muito bem no país, excetuando por um título ou outro. E eles são o que mais próximo chega disso...
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Para aumentar ainda mais o caldeirão de novidades, quando nenhum ser humano esperava por isso, a Conrad dá uma dentro. Com Chonchu - chega ao Brasil pela primeira vez o o quadrinho coreano. Tem uma arte de se bater palmas de pé, e que remete aos character designers de videogames como o também coreano Hyung Tae-Kim. Tem cara de teste de mercado.

 

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