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Desorganizadamente
Hoje a coluna vai estar um caos. Não digam que
não avisei.
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Só para começar: Apesar de termos a impressão de que antigamente as coisas
eram mais criativas... ok, ok, elas ERAM realmente mais criativas. Mas hoje
há mais recursos de viabilização de idéias. O gancho desse tema nada tem a
ver com quadrinhos e animação: uma das minhas bandas favoritas dos anos
oitenta, o Saara Saara, finalmente está lançando o primeiro cd.
Tenho certeza que o grosso dos leitores está coçando a cabeça. "Saara QUEM?"
Basicamente o Saara Saara circulava pelas rádios alternativas do Rio(leia-se
a antiga e saudosa Fluminense FM, não essa coisa ridícula que ocupa o espaço
de 94,9 no dial) com uma fita demo. Isso. Uma demo, em cassete(lembrem que
os cd demos de hoje, cada vez mais profissionais, eram algo muito distante
naqueles tempos). O Saara nunca teve espaço nas gravadoras e virou cult. A
fita tinha uma excelente qualidade, e basicamente o material do cd - se me
lembro do que foi anunciado - é o contido nessa fita original, mais alguns
materiais inéditos.
É muito tempo e chega até a ser doloroso de pensar - quantas coisas não
perdemos antes da Internet, antes de revistas que lançam cds, dvds e vídeos,
antes da televisão por assinatura, antes, enfim - dessa "democratização
desde que você possa pagar"? Pensem bem: anos depois, Hoshi no Koe - ou "Voices
of a Distant Star" - chegou às lojas especializadas japonesas tendo sido
produzida num esquema completamente independente, animado por um exército de
um homem só(não há outra definição). Há alguns anos atrás, isso poderia não
ser possível.
É incrível como tudo o que de alguma forma é relacionado à multimídia vem se
barateando em termos de custos nos últimos anos. Sim, a Liga dos VJs
Paladinos é horrível - e se pensarmos bem, ela é uma péssima idéia por mil
motivos práticos: local demais, não tem chance de exportação, e o primeiro
VJ que tiver problemas com a MTV pode muito bem proibir o uso de sua imagem,
fazendo que os primeiros episódios da série acabem sumindo. Mas em todo caso
foi ela quem veio primeiro, como eu já cheguei a dizer antes. E ela não
seria possível se não fosse justamente a evolução da tecnologia no sentido
de fazer animações baratas e práticas.
Não vou chamar isso de "O problema", mas o fato é que agora a porteira foi
aberta e haverá uma demanda por mais e melhores animações. Daqui a alguns
anos, o nível de um "Mega-Liga" será considerado pouco.
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Falando em animações(matéria de Daniel Castro, Folha de São Paulo):
"Desprezados pela Globo, Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali vão virar
personagens da programação do Cartoon Network, canal líder de audiência na
TV paga na América Latina. Terão uma faixa de meia hora aos domingos, a
partir de 27 de junho. (...) O acordo prevê a exibição de todo o material
produzido desde os anos 80 por Mauricio de Sousa. Segundo a assessoria de
Sousa, o material é inédito na TV brasileira e já vem fazendo sucesso na
Itália, onde estreou em dezembro.(...) Inicialmente, será exibido apenas no
Brasil, mas pode ir para o mundo todo...)
"Mauricio de Sousa será o primeiro desenhista a emplacar personagens
brasileiros no Cartoon. O canal também irá exibir tiras de Laerte, Glauco e
Caco Galhardo, cartunistas da Folha. "
(hm, um desenho da Suriá não seria nada mau. Laerte e Glauco mostraram nos
bons tempos da saudosa Tv Colosso que ambos tinham o que dizer - e isso para
uma geração que sofreu dez anos de lavagem cerebral nas mãos de Xuxa, que
deveria ter sido enforcada nas tripas de todas as suas clones. Dez anos
emburrecendo toda uma geração. Só Caco Galhardo e seus pescoçudos é que me
parecem uma escolha um tanto equivocada para a Cartoon.)
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Agora a pergunta cínica e desesperançosa: O que vai manter essa indústria de
animação viva?
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Esses dias meu gosto por retrozices me fez dar uma olhada num anime chamado
Raimuiro Senkitan. Uma bomba. Basicamente, uma reciclagem naval de Sakura
Wars durante a guerra Russo-Japonesa no comecinho do século 20(com as
meninas de Virgin Fleet, temos a trinca das forças armadas retrotecnológicas
femininas do Japão). Mas correndo atrás de informações sobre ele, o que me
chamou atenção foi que o desenho, apesar de não ser pornográfico - eu vi
apenas o primeiro capítulo, que teve sua dose de fan-service, mas nada que
você não tenha visto muito mais num Love Hina da vida - teve sua gênese num
jogo hentai. E o que vi, mesmo com as cenas de
"trombada-de-nariz-na-calcinha", foi um anime, em termos, comportado! Sinal
que os produtores não são burros - aquilo pode gerar brinquedinhos mais
comerciais do que almofadas de borracha no formato das meninas em tamanho
natural.
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Será que a Estrela ou a Glasslite não estão interessadas em co-produzir
alguma animação nacional?
Eu sei, eu sei, é só uma idéia que morre enquanto o Paraguai continuar
exportando seu mais popular produto internacional. Não pode haver Mercosul
enquanto os piratas continuarem a dilapidar a indústria nacional de
brinquedos. Já vi o primeiro bonequinho de Sakura Wars num camelô outro dia
mesmo, no centro da cidade - em mais uma versão pirata, daquelas com erros
no colorido.
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Ao menos as coisas estão acontecendo e estamos vivos para ver isso.
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