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Um mundo animado
Semana passada, eu toquei no fato de que o mangá/anime tenderá a ser menos
japonês e mais internacionalizado. Não importa que a origem da estética
tenha vindo do Japão. As notícias sobre o anime de Holy Avenger já começaram
a dar os primeiros sinais concretos de que alguma coisa está sendo feita,
mesmo que seja só um desenho-chave, e uma outra nova acabou de dar as caras:
Os chineses estão começando a entrar no ramo. É só olhar
AQUI.
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A China já é vista, por antecipação, como a futura grande potência desse
século, no momento em que a decadência dos Estados Unidos está visível. As
negociações da Alca são uma bela mostra disso. Brasil, Argentina e Venezuela
estão finalmente fazendo um eixo econômico que será a base de um futuro
mercosul. Como eu já disse: com a Venezuela fazendo parte desse eixo, o
Brasil passará para a auto-suficiência TOTAL em petróleo, e a quartelada que
tentou derrubar Chávez falhou. Essa perseguição toda ao presidente da
Venezuela atende apenas aos interesses de Washington. Ao mesmo tempo, a
dupla Brasil/Argentina consegue negociar bilateralmente com o Canadá, apesar
dos protestos desta, querendo negociações multilaterais que atenderiam
justamente à formação da Alca. o esvaziamento da Alca, ou melhor, a "Alca
Light", como a imprensa vem chamando, mostra pela primeira vez um Brasil se
valendo devidamente do poder diplomático que armazenou durante anos. Em
outro tempo, os Estados Unidos venceriam a quartelada de Chávez e dariam um
chega-para-lá muito grande no governo Lula, se é que não armariam outra
quartelada. Os Estados Unidos ainda tem bala na agulha para dar uma virada
de mesa? Não se sabe. Mas os métodos tradicionais de coerção e de imposição
não estão funcionando mais como antes.
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Mas eu estou divagando. De qualquer forma, o mundo, no que diz respeito a
indústria de entretenimento, está cada vez menor e menor.
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Parte disso vem por conta da popularização do computador. Produções chinesas
como Shaolin Soccer e Storm Riders(este baseado pra lá de livremente no
manhua - os quadrinhos chineses - do mesmo nome) não ficam nada a dever
tecnicamente às produções médias hollywoodianas que se valem de efeitos
especiais. Mais ainda: uma das esperanças de sucesso nos cinemas do mercado
americano é o filme Capitain Sky and the World of Tomorrow. O detalhe é que
tudo foi feito em computação gráfica, cenários, cenas de combate com aviões,
nuvens no céu, tudo. De humano, apenas há a participação de Jude Law,
Angelina Jolie, Gwynneth Paltrow e companhia.
Fazer um filme como esse não chega a apertar o orçamento de nenhuma
produtora. Em nenhum lugar do mundo.
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Por essas e outras o computador permitiu uma democratização dos efeitos
especiais, permitindo que filmes como os vindouros Devilman e Cutey Honey,
ambos baseados em mangás de Go Nagai, não venham necessariamente ao mundo
com a cara de tosqueira que filmes como o velho live-action de Dragon Ball -
e porque não? O assustador live-action recente de Sailor Moon carregam
consigo.
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Ninguém gosta de ver um produto amador e mal acabado. É uma das razões que
fizeram que ao longo desses anos a produção cultural de massa, e aqui incluo
quadrinhos, cinema e o que mais fosse, tivesse um estigma de baixa qualidade
- desde que não se incluísse na categoria infantil ou de humor/paródia(e
para piorar, no caso da paródia, a baixa qualidade se associava a
"brasilidade assumida..."). Bastava comparar com o produto estrangeiro ao
lado que se justificava o desprezo pelo nacional.
Ninguém pode culpar o consumidor quando não há um correspondente de
qualidade. Não dá para aceitar um produto precário. Folheando um dos
anuários da Embrafilme, encontrei essa pequena "pérola": um filme chamado
Bonecas Diabólicas. Sua sinopse: "O Professor Sidrome convida quatro amigos
desiludidos com suas esposas a conhecerem uma boneca meiga que anda, fala e
ri. Maravilhados, cada um encomenda uma boneca para si. Numa festa com as
bonecas e as esposas, arma-se terrível confusão: As mulheres de verdade,
repudiadas, não têm condições de lutar contra as bonecas de aço e plástico."
Chobichos ferozes?:)
O grifo em "lutar" é de minha autoria. Porque não há dúvidas: na foto que
acompanha a sinopse, há mulheres cercadas por andróides que as ameaçam com
ESPADAS(num conjunto de maquiagem e vestuário ridículos que só poderia
acontecer nos anos setenta).
Parabéns, temos um filme trash de oitava categoria, numa década que só em
ficção científica nos daria o citado Westworld, Quinteto(de Robert Altman),
Fuga do Século 23 e fecharia com Guerra nas Estrelas, o original.
E graças a Deus, isso acabou e ninguém mais se lembra.
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A partir do momento em que a animação praticamente limitou suas formas
tradicionais de produção aos grandes longa-metragens, se tornou mais fácil
fazer desenhos animados com um mínimo de qualidade técnica apresentável. Em
uma coluna anterior, eu abordei as
dificuldades financeiras de se fazer um desenho para a televisão aqui no
Brasil. Mas nunca falei em dificuldades técnicas.
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