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O Primeiro Ano Do Resto de nossas vidas
PARTE 1

Estamos chegando perto do Natal. Só teremos mais duas colunas minhas este ano - esta e a próxima. Seria falta de conveniência falar qualquer outra coisa semana que vem: Este texto que vocês estão lendo hoje, dia 5, está sendo escrito no dia 4. Dia seis a JBC irá anunciar seu próximo mangá - e apesar de falarem tanto de Naruto, e acreditem, eu gostaria que fosse este, tudo indica que deve ser X/1999(sinceramente, gostaria que Naruto caísse nas mãos da Panini; eles lançaram dois mangás bons em seus respectivos gêneros mas precisam realmente de um hit arrasa-quarteirão em potencial para puxar os materiais restantes - e até agora vêm fazendo um trabalho correto, se esquecermos o que foi feito com Gundam Wing. Quanto mais competição e produtos diferenciados, melhor). E sinceramente... não haveria muito o que eu pudesse falar caso fosse X/1999. Até porque a melhor crítica feita à série não foi feita por mim(dêem uma olhada em http://www.glay.hpg.ig.com.br/x.htm e se divirtam. Espero que ela resenhe os outros volumes também).

Melhor falar de outras coisas. Do ano que passou, por exemplo. E ele foi um ano bem interessante, diga-se de passagem. Mas não conseguiria fazer uma retrospectiva ampla, completa e esclarecedora sobre tudo o que aconteceu em 2003. Prefiro jogar os dados que me vêm a mente, de acordo com os vaivéns da memória. Ela é sempre traiçoeira, mas...

De qualquer forma, talvez esse tenha sido o ano do prelúdio da virada. E eu me baseio em três pontos para isso: a trajetória de séries nacionais de produtos quadrinhísticos para franquias potenciais em diferentes mídias; o início do que pode ser uma produção nacional animada; e terceiro, por incrível que pareça, por conta das mudanças no mundo ao nosso redor e nossa política externa.

De Holy Avenger já falei demais ao longo do ano. Ainda acho cedo a republicação da série, mas tenho que concordar que o material fica bem melhor com as novas retículas do que da forma original. Ao mesmo tempo, saem os livros de Tormenta dentro do sistema D20, que é um sistema popular dentro do meio do rpg e pode ajudar a franquia a crescer mais ainda dentro de sua base. Fica claro que um dos motivos dessa republicação pode ser o de manter a série nas bancas, mesmo após o seu final, até a chegada do desenho animado - e sinceramente, o lançamento das edições "extras" só faz sentido se lembrarmos que ao todo a série, que passa a ter quarenta e dois capítulos, entra na lista de material "publicável" no exterior a partir do precedente Victory. Como a atual fórmula de sucesso da publicação dos mangás nos EUA é a do "tanko-hon traduzido", uma eventual publicação lá fora poderia ser pulverizada em sete volumes de cento e vinte páginas(uma média boa de páginas para um desses volumes), contendo seis capítulos cada. Será que teremos Holy Avenger VR 21, republicando a história que saiu nos números quarenta e um e quarenta e dois? Faria sentido.

Ao mesmo tempo, Combo Rangers ganha sua linha de bonecos.

Quando quadrinho pode gerar comércio, ele ganha viabilidade de existência.
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O segundo ponto digno de nota desse ano são os primeiros passos sendo engatilhados para uma produção de animação de massa. Ainda são passos temerários: só vamos ter certeza de que pode haver um desenho seja lá do que for quando pudermos VER os frutos desse esforço, e isso irá tomar muito tempo. Mas o primeiro pressuposto para que ele possa vingar vem se armando no quesito anterior: a possibilidade de gerar comércio que viabilize a própria animação em si. Claro que ainda há o problema da pirataria a se resolver. E ele não será resolvido ano que vem nem tão cedo assim. No entanto, há um esforço em trazer material nacional à tona, e mesmo a lei errônea proposta pelo Vicentinho é uma prova dessa necessidade surgindo e se fazendo visível. Não falo de fazer animações toscas em flash para ganhar prêmio em festival. Falo de animação comercial.
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Ao mesmo tempo, e pouca gente está percebendo isso neste momento, o Brasil procura sua própria voz, à sombra da fragmentação da queda do Império Americano. Sem brincadeira.
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A União Européia está falando em montar sua própria unidade militar, que viria a substituir a Otan. Os Estados Unidos, que sempre foram as cabeças pensantes da Otan, estão esgoelando contra isso. O Brasil na OMS faz um esforço paulatino mas eficiente no sentido de fazer a Alca solar que nem um bolo, para irritação dos industriais dos Estados Unidos. Fala-se, com apoio da Argentina, em se criar uma força militar para resolver os problemas internos do continente, antes que os marines o façam.

Simplesmente o que está acontecendo é que a ordem do mundo está mudando. Podemos criticar a política interna do governo Lula, mas fora do país, ele está garantindo que o Brasil não fique à margem do poder de quem sair por cima durante esse momento de transição. Nesse sentido, não ligo para se ele promete a Alca para 2006. A Alca NÃO VAI SAIR enquanto não for de interesse dos Estados Unidos, e a Alca que está saindo não é a Alca que a América quer.

Essas coisas se refletem no Brasileiro, quando torce o nariz para festinhas de Halloween ou quando se pára de tomar Coca-Cola para protestar contra a ocupação do Iraque. Não estou dizendo que se deva deixar de olhar o que vem de fora ou deva se fazer histórias sobre índios pelados morando no mato; mas está chegando a hora de que a demanda por uma produção local vai ser pedida.

Claro que se esse "espetáculo do crescimento" prometido não vier, não vai adiantar nada preparar o Brasil lá fora se ele estiver fraco por dentro...
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