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O Preço da qualidade!
PARTE 1
Deu aqui mesmo na Anime Pró (Clique
AQUI).
Para quem não esteja com paciência de ler o link, vou apenas transcrever o
último parágrafo: "Uma grande duvida que cerca os fãs brasileiros é porque uma
revista dessas não é lançada por aqui, já os empresários, ainda analisam se um
projeto desse seria viável e teria uma vendagem satisfatória no país...". Há
certas feridas que doem.
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Tudo começou quando um amigo, que pretende fazer um filme de FC, e transformá-lo
em franquia, comentou se não seria uma idéia interessante fazer uma revista com
verdadeiro estofo, realmente informativa, com um pé além do assunto anime e
mangá, e com um olho para fora do núcleo de sempre dos fãs - e uma chance de
divulgar tanto a franquia dele de FC quanto uma hq minha. A fórmula seria a
mesma da Newtype: um caderno em preto e branco, onde a história estaria
"encartada" - e segundo a sugestão de um terceiro amigo que seria logo trazido
para a equipe, que pudesse ser destacada para, após ser publicada em fascículos,
ser encadernada. Assim, poderiam se ter coleções de quadrinhos com um acabamento
de primeira.
Do outro lado, o resto do miolo preto e branco seria dividido ou com
"atualidades", como guias de programação e similares, e com uma série em
folhetim na ambientação do filme, que seria publicada como um romance
futuramente. A parte a cores, claro, teria matérias detalhadas e colunas. Eu já
havia sugerido um projeto assim a uma editora que parecia ter tido a mesma idéia
ao mesmo tempo no passado, mas só para não nos estendermos quanto a isso, o
projeto dessa editora se esvaziou com o tempo e os avais econômicos internos de
um lado, e do outro, parecia não haver idéia de que público alvo atingir e o
resultado final resultou em desacordo e desgaste - embora eles tenham sido
honestos e pago o trabalho feito. E ficamos por aqui.
De qualquer forma, reunimos para esse novo projeto uma equipe invejável. Eu
cuidava da história encartada, mas também da parte editorial. Tudo parecia
perfeito.
Aí a realidade bateu na cara.
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Não vou acusar nenhuma editora aqui. Houveram dois tipos de reação: ou as
editoras não queriam se aventurar nesse nicho de mercado, e que foram honestas
ao colocar seu ponto antes de ver qualquer coisa - e assim não perder nosso
tempo - e as que, sim, estavam interessadas, achavam a história encartada
razoavelmente boa, e etc., recuavam ao perceber que esse seria um projeto caro,
pelo próprio tamanho da equipe necessária para produzir a revista. E o que seria
"caro"?
Qualquer coisa acima de dois mil reais. Eu poderia falar sobre o mecanismo de
moer carne que são as revistas nanicas de anime, mas o fato é que eu já falei
disso em uma coluna anterior (Clique
AQUI), e chover no molhado é
algo chato. Muito chato. Para poupar a paciência do leitor, vou transcrever o
trecho que interessa:
"Por outro lado, qualidade não custa barato. Exige a formação de uma equipe.
Exige tempo integral. Tempo integral significa um salário que permita sustento
para os envolvidos diretamente na produção. E isso sai revertido não só na
qualidade, mas também no preço. Aos que sonham com uma Newtype-BR, um aviso: ela
não sairia por menos de R$ 6,90. Nem de longe. E um dos motivos que levam as
revistas a chafurdar eternamente na mesma leseira é justamente o seu custo. Com
dois mil se faz uma equipe editorial pequena, se deixa a diagramação a cargo da
equipe interna da editora, pega-se imagens da internet e se fecha uma revista
com textos tão completos e profundos quanto um pires, no espaço de duas semanas.
Logo, dificilmente algum editor vai querer arriscar o borderô da empresa onde
trabalha com um trabalho que se não der certo, pode custar sua cabeça."
Basta dizer que a empreitada não teve final feliz: a equipe havia debandado, e
no esforço de produzir uma revista "barata" para capitalizar recursos para a
nova revista, um punhado de remanescentes dela foi reunido às pressas e sem o
mesmo entrosamento de antes, acumulando funções demais. Quando uma roda da
engrenagem se atrapalhou, todas se atrapalharam e se perderam. E a culpa em uma
equipe não é de fulano ou de sicrano. É de todos ou de ninguém. No final, foi um
aprendizado - mas aprendizado não enche os bolsos. E todos foram tocar suas
vidas, como é o comum nesses casos.
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Eu não escrevi tudo isso para chorar nos ombros dos leitores. Eu queria
aproveitar para questionar a maturidade do nosso próprio mercado: Vamos dizer
que se faça uma revista com TUDO o que se tem direito. TUDO. O leitor vai pagar
R$ 6,90 ou mais por ela?
Lá pelo meio do ano, eu passei por uma experiência constrangedora. Participei,
como quadrinhista, do fanzine Break The Hand - e para mim ver uma história
minha, com aquele acabamento, ao lado de tanta gente boa, foi uma experiência e
tanto. Todos os desenhistas de alto nível, capa cartonada, plastificada e
colorida... algo que valia o preço de cinco reais. Em São Paulo, consta que
vendeu bastante na Anime Friends. Num evento no Rio de Janeiro, eu via as
pessoas chorando por causa do preço. "Não dá para baixar não?"
Como carioca, eu fiquei com vergonha.
O fato é que a razão primordial pelo qual não se investe em um produto melhor é
simples: o medo justificado do próprio leitor achar caro demais e não comprar.
Uma revista deve valer o preço que tem. Mas... o leitor PEDE as revistas de
informação a essa altura do campeonato? Quando tudo parece vir de mão beijada
pela internet - sim, eu sei que há muitos leitores potenciais sem Internet...
mas eles vão preferir ler sobre seus quadrinhos favoritos ou ler seus quadrinhos
favoritos?
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