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Em busca do formato perfeito!
PARTE 1
Sem muito foco desta vez. Estou escrevendo isso ao som de "Eu Tiro é Onda", o
primeiro disco solo de Marcelo D2, do Planet Hemp. Não deixa de ser curioso o
porquê de eu ter achado esse disco ao acaso. Eu procurava justamente o atual
disco de D2, "Em Busca da Batida Perfeita". Custava 29 paus. Não sabia se iria
gastar tudo isso no disco. Encontrei o "Eu Tiro..." a 11 reais. Comprei e deixei
o "Batida Perfeita" para outra ocasião. É nisso que se abre a margem para
pirataria nesse país. 29 reais? Meu Deus...
Bom, vamos ao expediente, e não se espantem se eu for um pouco caótico:
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Esta semana eu li a Raijin Comics de outubro. A Raijin Comics é publicada nos
Estados Unidos por uma editora japonesa, a Gutsoon, e basicamente publica tanto
material originariamente publicado nos áureos tempos da Shonen Jump por autores
cujo passe pertence atualmente ao grupo Coamix(proprietário da Gutsoon, se não
me engano; preciso confirmar esse dado ainda), quanto material atual da editora.
Os materiais atuais não fazem feio, quando se fala em quesitos técnicos. Mas as
estrelas são os mangás que já deveriam ter aportado no ocidente há
muito(qualquer revista que tem o ótimo City Hunter já vale o preço), ou os
derivados de séries de sucesso no passado(como Fist of Blue Sky, prequel do
inacreditavelmente ruim Hokuto no Ken). No entanto, duas das séries recentes
destoam enormemente do resto do conteúdo: Guardian Angel Getter e Bow Wow Wata.
A primeira é um clone de Oh, My Goddess. Tecnicamente bem desenhado, com um
traço levemente mais caricato do que a série que o inspirou claramente em termos
de gênero. Bow Wow Wata é uma série de bichinhos falantes com um casalzinho de
pré-adolescentes no meio, pelo que vi na edição que me caiu em mãos.
Me parece um pouco falta de bom-senso. Uma menininha que adorasse esse material
não aguentaria passar por histórias escabrosas de ninja do tempo do onça, um
caçador de recompensa tarado tendo uma ereção por sobre a calça e materiais
visivelmente mais adultos, com um traço menos "bonitinho" e mais realista. Fazer
coletânea não é misturar alhos com bugalhos.
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O Japão, assim como o Brasil, tem tradição em revistas de coletânea. O que chama
a atenção nas coletâneas japonesas é sua segmentação. Recentemente, um conhecido
que mora no Japão - e não, ele não é um otaku - comentou que se perguntava se
mangá poderia pegar DE VERDADE no Brasil. Nas suas palavras: "Jovem japonês tem
poder aquisitivo. A maioria trabalha, e eles gastam com besteiras mais de 20, 30
reais por dia... Acho que falta essa cultura consumista para que quadrinhos
saiam no Brasil. Japonês tem essa cultura de achar uma coisa legal só de olhar a
capa, comprar, e entao decidir se é legal ou não mesmo e continuar comprando.
Nao só com quadrinho, com todo tipo de besteira: comida, acessórios, etc. Sem
entrar nos méritos de isso ser bom ou ruim, sem esse consumismo, fica dificil
criar uma cultura de quadrinhos para jovens no Brasil. E brasileiro tem essa
cultura de não gastar, de pegar emprestado e depois comprar..."
De certa forma é essa a raiz do problema. O que seria "pegar de verdade"? Eu
diria estabilizar seu nicho de mercado de tal forma que ele permanecesse,
independente de seus sucessos ou fracassos. Nesse sentido, quadrinhos de
super-heróis "pegaram" nos anos sessenta e continuam nas bancas até hoje. Tanto
que mal a Abril fechou as portas, a Panini as agarrou.
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Voltando às coletâneas.
O motivo prioritário que, durante a minha adolescência, fez com que eu
acompanhasse a revista "Incrível Hulk" da Abril, se chama Novos Mutantes, a
partir da fase Chris Claremont/Bill Sienkiewicz - e quando o escritor saiu da
revista e sua substiuta no posto melecou tudo, eu permaneci lendo por conta do
próprio Hulk - que nesse meio tempo já estava nas mãos de um certo Peter David,
que fez maravilhas com o personagem por mais de uma década.
Coletâneas são assim. Já ouvi falar de casos, no Japão, onde um leitor apenas
lia uma ou duas histórias e ignorava o restante, jogando fora a revista. Aqui
ainda temos muito da visão de colecionador, mas elas têm a vantagem de ser um
veículo mais prático para o lançamento de novas séries.
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Quanto custa o lançamento de uma revista nova? O bastante para enervar todo
mundo. O bastante para que, se o retorno não for muito grande, ela seja
cancelada. Se Dr. Slump fosse publicado numa coletânea e não desse certo,
ficaria a coletânea e Dr. Slump iria embora. Corta-se a perna cancerosa sem
matar o cachorro. O melhor das coletâneas é que uma revista bem-sucedida não
precisa sair do ar caso uma série não dê certo... troca-se por outra. O lugar de
uma série no mercado continua lá.
As desvantagens práticas são outras. Se pensarmos bem, se Rurouni Kenshin fosse
publicado numa coletânea, provavelmente levaríamos anos até que chegássemos ao
final da série. Uma vantagem da antiga periodicidade semanal da Raijin Comics
era essa: era mais rápido de se acompanhar. Por outro lado, a mordida no bolso
se torna maior(se bem que, para um americano médio, cinco dólares não são muita
coisa).
Por outro lado, Kenshin tem força suficiente para se sustentar sem precisar do
apoio de outras séries fortes que segurem suas pontas até que seu público o ache
- ou que se chegue a conclusão de que aquilo não emplaca mesmo.
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