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O ponto da saturação!
PARTE 1
Cavaleiros do Zodíaco na Cartoon. A Bandeirantes anuncia a volta de G-Force. A
diversão está garantida.
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É um caso a se pensar. Ao revermos animações antigas, percebemos que muito do
que deu aos animes a sua personalidade foram as próprias limitações técnicas das
primeiras décadas. Num esforço de baratear o custo de produção de um desenho
animado, se empregou o mais que pôde imagens paradas, mas graficamente
impactantes. Esforços de composição de cena que valorizassem uma imagem mesmo
que ela estivesse parada(e convenhamos: naqueles desenhos "desanimados" da
Marvel dos anos sessenta, havia um dinamismo mais notável do que costumamos nos
lembrar, apenas por conta dos enquadramentos e onomatopéias de Kirby, Sinott e
companhia. Pode se ser mais dinâmico com uma imagem parada do que se imagina).
Cores marcantes, alinhadas ao esforço dramático do roteiro. E nesse momento
vocês devem estar prestes a me chamar de velho, pronto para falar de como era
bom antigamente...
Não, não era "bom" antigamente. Toda evolução técnica é bem-vinda. Era bom
porque muitas vezes esses animes eram baseados em roteiros de primeira, de uma
geração que dificilmente irá se repetir no Japão. Mesmo o material raso era
feito por pessoas que em si tinham estofo, e que deixavam o raso molhar os
joelhos. Hoje nem umedece direito os dedos.
Mas foi esse esforço que definiu esteticamente os animes. O esforço de se
contornar problemas que tecnicamente não podiam ser resolvidos. Cavaleiros se
vale muito dos enquadramentos das cenas. Funciona. Há uma cena em Rosa de
Versalhes, o anime, que é simplesmente marcante: quando o encontro entre duas
rivais(Maria Antonieta e Madame Du Barry) é inevitável, a tela se divide em mais
e mais velocidade para ampliar a tensão. E os quadros vão ficando mais
estreitos. Então Maria Antonieta abre a boca, concluindo a cena. Um
experimentalismo que nasceu da necessidade, não na manutenção de uma pose de
arrojo técnico(vide certas estripulias da Gainax).
Até hoje o paradigma da animação japonesa é diferente da animação ocidental em
geral. No ocidente, se simplifica os personagens mas se dá mais atenção a
animação em si. No oriente, menos animação, mais detalhes. Peter Chung, o
criador de Aeon Flux, foi chamado para a produção do anime "Alexander", dirigido
por Rin Taro. Consta que ele desenvolveu várias expressões de risos e
gargalhadas, de gestuais... e eles jamais foram usados. Ele atribuiu a um
"minimalismo" da animação japonesa que se pensarmos bem, faz mais sentido do que
se pensa.
O problema pode ser colocado de outra forma. Hoje está tudo pronto para uma
linha de produção eficiente. Tecnicamente, pode-se muito, mas muito mais do que
nos tempos em que Seiya enchia baldes de cinco litros de sangue tendo como
cenário algum arremedo de ruína grega.
Mas algo se perdeu no caminho.
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Ryoichi Ikegami veio de um emprego modesto como pintor de cartazes e entrou
profissionalmente nos quadrinhos como assistente em Gegege no Kitaro. Segundo o
autor, os quadrinhistas profissionais com os quais ele teve contato o
apresentaram às obras de Goethe e Sartre e disseram que ele jamais seria um
verdadeiro quadrinhista até que conhecesse tal literatura. Talvez essa leitura
tenha feito mais mal a ele do que bem: Quem acompanhou o seu injustiçado
"Homem-Aranha" além do ponto que a Mythos publicou vai ver que ele levou o
conceito de desconstrução de um personagem praticamente até as últimas
consequências. Mas a situação por ele descrita mostra apenas a efervescência
cultural de onde nasceu uma geração notável de quadrinhistas.
Hoje não se vê isso. O que temos foram leitores que foram criados sob a leitura
de determinado quadrinhista. E que se tornam quadrinhistas. E que influenciam
futuros quadrinhistas que serão influências para novos quadrinhistas. No mundo
dos comics, esse panorama de cópia desmaiada da xerox da xerox desembocou na
"Geração Image", onde a arte nunca foi tão cinética - a ponto de em mãos menos
hábeis, e eram muitas, a narrativa visual ter sido deixada de lado em prol de um
design pseudo-arrojado(Spawn, alguém?). E nunca os roteiros foram tão
indigentes. Neil Gaiman, autor de Sandman, disse ter achado Youngblood(de Rob
Liefeld) uma obra revolucionária: provou que para escrever quadrinhos, nem saber
escrever era necessário.
Sinceramente, às vezes acho que a "Geração Image" do mangá e do anime está
chegando perigosamente perto. Se é que não nasceu, já. Basta olhar para esse
link(http://www.ikkitousen.com/) e se dar conta que ele é um desenho que será
exibido numa rede de televisão. Ou para os clones de séries de sucesso(Rahxephon,
clone de Evangelion, por exemplo). Ou para os animes de otaku, feitos com um
olho na mão direita de seu público, outro olho em seu bolso. Ou para as
refilmagens de séries famosas(Cyborg 009, Astroboy e Gundam 0079 em quadrinhos,
rebatizada de Gundam the Origin... as três ÓTIMAS em suas novas versões) - sinal
que a fonte da criatividade anda secando.
O Paulo Francis costumava definir tudo da seguinte forma: antes, os filmes eram
feitos por adultos para adultos com mentalidade de crianças. Hoje os filmes são
feitos por esses adultos com mentalidade de crianças para seus iguais.
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