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Reformular para não morrer!
PARTE 2

    Novamente: Supondo que isso tenha realmente acontecido(ou seja, Fantagor ter sido um projeto de um "Fantasma Mangá" rejeitado pela King Features Syndicate), a empresa pode ter perdido a chance de ouro de colocar seu personagem nas bocas de um público de leitores que não vai morrer gradualmente ao longo dos anos, sem renovação. E que vão levar seu amado personagem para o túmulo da mesma forma que morreram Brick Bradford, Capitão César, Tereré e tantos outros.

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    Há três precedentes históricos para a atitude da Opera Graphica(alterar e rebatizar um personagem original e torná-lo independente da matriz). O primeiro se chama Marvelman(nos Estados Unidos e no Brasil, Miracleman, embora em tempos idos suas histórias originais tenham sido publicadas aqui sob o nome de Jack Marvel). Nos anos cinqüenta, uma editora britânica publicava em solo inglês as aventuras do capitão Marvel. Como conseqüência do famigerado processo da DC Comics contra a Fawcett, o material deixou de ser produzido e a editora não queria ficar sem seu ganha-pão. Então o que veio foi uma solução de sobrevivência: os números restantes de Capitão Marvel passariam a se chamar Marvelman, assim como o personagem. Quando o material acabou, "Marvelman" seria reformulado com um novo herói, nova origem, novo visual e novo elenco de apoio - em tese seria uma nova versão do "Marvelman" original, o Capitão Marvel. Deu certo - e o personagem viria a ganhar vulto nos anos oitenta quando passou pelas mãos de Alan Moore.

    O segundo precedente é brasileiro e acredito já tê-lo citado em alguma coluna anterior, mas vale a pena repetir: Quando a bem-sucedida série Judomaster foi cancelada, a Ebal investiu numa série similar para aproveitar seu sucesso, apenas alterando uma letra do nome e continuando a revista do número onde a anterior parou. Assim nasceu o Judoka, a mais longa série não-infantil dos quadrinhos nacionais, que chegou até a virar um filme estrelado por Pedro Aguinaga e Elizângela.

    O terceiro vai me render belas dores de cabeça: Tim Hunter, da série Livros da Magia. Um personagem riquíssimo em potencial... um jovem adolescente quatro-olhos e desajustado, em uma família problemática(há uma diferença aqui no quesito convívio com os familiares), que descobre que no futuro se tornará um grande mago e que costumava andar acompanhado de sua coruja Ioiô. Familiar, não? Esse personagem valeria uma coluna à parte, mas eu defendo a J.K. Rowling por sua apropriação de elementos de Tim Hunter. Porque a DC não fazia mais, verdadeiramente, uso de boa parte desses elementos, num dos maiores atos de falta de senso editorial de todos os tempos.

    O que importa, no caso, é a execução. Claro, será bom para a pele do Fantagor que ele se distancie com o tempo de sua matriz original. Por ora, basta apenas que ele sobreviva(e que o desenhista evolua). E talvez o seu grande inimigo seja um só. A sombra da caveira, da verdadeira caveira, que repousa há quatrocentos anos nas costas de Bengala. Porque o Fantasma há muito tempo não nos dá as boas histórias que ele merece ter. Mas ele ainda existe. Ainda é um mito tão forte que mesmo quem não leu nada do personagem sabe de quem se fala quando mencionamos o Espírito-que-Anda. E quando olharmos para o Fantagor, sempre será do Fantasma que iremos nos lembrar.

Sem mais, por ora,
Alexander Lancaster(lordlancaster@hotmail.com)
P.S.: Agradeço ao Franco de Rosa, editor da linha Mangaijin, por responder ao meu mail pedindo por informações. Rosa não é um estranho nesse terreno: Trabalhou com Cláudio Seto, um dos introdutores do estilo mangá nos anos sessenta, e desenhou material do gênero nos anos oitenta. A idéia de adaptar o Fantasma para a estética mangá é sua(confirmando o que eu tinha ainda descrito como possibilidade). Novamente, obrigado.

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