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O Gibi, esse incompreendido!
PARTE 2

Porque isso? Porque o formato permitia a publicação de várias páginas a um custo reduzido. Os puristas do gênero supers sonhavam com uma revista para cada personagem, mas quando eu pude pegar uma revista original americana pela primeira vez, meu primeiro pensamento foi "pô, aqui no Brasil o papel é melhor"(e era MESMO). As cores "por Cleusa" eram mais brilhantes do que as cores escuras e cheias de pontos de impressão estourados da Marvel. E eu havia pago mais caro por AQUILO?

    Foi isso que me fez passar a desconfiar dos puristas que aporrinhavam os editores nas sessões de cartas da Abril. Claro, em tempos de colorização por computador em papel couché, nós sabemos que as coisas são diferentes. Com o aumento do custo do papel e a mudança do padrão de colorização, ficou mais difícil manter o formatinho barato. Mas esse fator - preço e praticidade - foi o que tornou o formato gibi das gráficas o formato padrão dos títulos mais duradouros da história dos quadrinhos no Brasil.

    Um dos problemas do formato gibi é que ele não tende a funcionar muito bem para histórias isoladas. O brasileiro gosta de volume. É bom lembrar que ele próprio pedia almanaques e superalmanaques para as editorias de super-heróis, enquanto os mangás de hoje que tendem a vender bem oscilam na faixa das cem páginas - e infelizmente o borderô de dois mil reais exigido hoje pela média das editoras jamais permitiria uma antologia de várias histórias nacionais de vinte páginas, como a Abril fazia. O formato americano é feito para uma história por edição, mas isso está longe de ser a melhor solução. O que é mais vantagem: 3,90 por 100 páginas ou por 32?
    A iniciativa da Camargo e Moraes, de gibis por um real, foi ótima. Ainda a acho válida - compensar a ausência do volume pelo benefício do preço imediato. Mas eles deveriam ter investido em conteúdo. Se tivessem investido em produtos melhores do que Fighter Dolls, Sad Heaven e Valiant Hook, quem sabe tudo teria dado certo, outras editoras investissem no formato e ele estivesse mais vivo e atuante do que nunca. A melhor iniciativa recente nesse quesito foi o formato econômico usado por Mythos e Panini, que reduziu o custo que essas revistas teriam em formato americano e compensam a perda de visibilidade que o gibi passou a ter com a presença física de outros
formatos. Talvez o tamanho do gibi tenha que ser reinventado, afinal, por conta de custos, facilidades de execução e preços.

    Mas prefiro pensar que quanto mais se comprar gibis, mais baratos eles serão e mais lucro darão, permitindo que se produza mais e mais material. Prefiro pensar neles como uma porta de entrada para o leitor médio. O gibi, formato, era quem permitia que os gibis, quadrinhos, chegassem às mãos do grande público. Porque penso em gibis não só como um formato, mas como o sinônimo de quadrinhos no Brasil. Porque o termo se popularizou pela boca do povo. E é como gibis que eles estão em sua cabeça.
    Ao invés de tentar revestir os quadrinhos de respeitabilidade, seria melhor fazer que os gibis entrassem no coração do povo também.

Alexander Lancaster (lordlancaster@hotmail.com)

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