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A historia dos Super Robôs
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01 - 02

Yo!
No Ocidente em geral, mesmo nessa época em que os animês ficaram mais populares, tem um gênero que quase não é lembrado, mas que sempre teve um grande espaço no Japão: as series de robôs gigantes.

Citando os que são de alguma forma, conhecidos desse lado do Globo, temos o Robô Gigante, Macross, Gundam, Orgun, Vandread, e é claro, Evangelion. Ainda tem muita coisa boa, muitas nem tanto, mas uma variedade incrível.

Nessa terra onde os robôs gigantes já estão no imaginário dos moleques desde 1963, até hoje os robôs fazem a cabeça tanto dos marmanjos quanto dos garotos que ainda mal sabem falar. Sendo bem rápido, a historia dos super robôs no Japão começou com Tetsujin 28 gou, a 42 anos, e vingou finalmente em 1972, com a estreia de Mazinger Z, um mangá da Shonen Jump, produzido pelo ainda não tão conhecido Go Nagai que calcou o que seria a base das series de robôs gigantes nos próximos anos. Dele foi também a criação de Getter Robot, em 1974, que iniciou a moda dos robôs formados por veículos independente, que, cinco anos depois, seria usada pela primeira vez numa serie de tokusatsu, Battle Fever J, e se tornado tradição das series. Quem não lembra do robô com cabeça de foguete dos Changeman?

Enquanto os robôs mentirosos, mas divertidos faziam a cabeça dos garotos, Yoshiyuki Tomino, roteirista do estúdio Sunrise, misturaria sua tara por historias de guerra com sua rebeldia adolescente da época e criaria Gundam, a primeira série realista com robôs gigantes, que mistura dramas pessoais, política e a batalha de gerações com robôs bem mais acreditáveis do que os que enchiam as TVs japonesas na época. O animê foi ao ar em 79, e criou uma nova vertente no gênero, a dos Real Robots, com robôs acreditáveis.

Nos que vivemos no Ocidente, sabemos que as TVs adoram esticar algo que dá certo. No Japão, eles também fazem isso, mas de uma forma que eu considero bem mais decente do que encher lingüiça: eles fazem séries novas, mas na mesmíssima linha. Por causa disso, existem muitos robôs parecidos, com uma história parecida, com uma temática praticamente idêntica e se possível, interligada. Mazinger Z teve duas continuações interligadas e vários substitutos depois, fora alguns Mazingers "linha do tempo", usando o nome famoso pra um robô parecido, mas com história diferente. É, algumas continuações não deveriam ser feitas...

Mas enquanto Mazinger Z se dava mal em sucessores fracos, em 1975, outra franquia começava a dar certo... A de Choudenji Robot Combattler V. A aventura continuava mentirosa como a de Mazinger, mas tinha uma certa carga dramática, em alta na época. A ação também ia mais para o lado de coisas como GatchaMan (G-Force no Brasil), enquanto Mazinger já teve até que lidar com uma robô apaixonada...

Outra serie de sucesso é uma mais recente, a dos Yuusha (heróis, corajosos), iniciada com Exkaizer, em 1990, mas famosa mesmo só com a mais recente, GaoGaiGar. A historia sempre girava em torno de um garoto da idade do publico, uns doze anos ou tinha um em algum papel importante da trama e trazia robôs que ficavam mais fortes a cada vez que se colocava algum equipamento novo, ligação com algum outro robô, ou coisa assim.

A franquia que mais deu certo em continuações foi sem duvida, Gundam. A serie original deu lugar a Z Gundam, onde os personagens todos eram trocados mas o cenário permanecia, apesar dos vilões mudarem. Essa é considerada a melhor das series, não só por trazer um universo muito mais rico, mas por saber usar bem os personagens. O cenário de Gundam permaneceria somente até a continuação de Z, Double Z, uma serie mais alegre, cheia de piadas e com personagens mais desencanados do que os problemáticos Kamille e Amuro das series anteriores.

Quando Double Zeta acabou, V Gundam iniciou um novo cenário, que não deu tão certo assim. Sua continuação sem ligação, Gundam F-91, acabou indo para o cinema, numa versão compilada do que deveria ser uma serie de TV. Era um cenário bem promissor, tanto que deu origem a continuações em novelizações e mangás, como Cross Bone Gundam. Atualmente, esse universo foi retomado em um mangá.

Depois disso, varias historias passadas em cenários diferentes foram criadas, fazendo os Gundam passarem cada vez mais pro lado dos Super Robots, os robôs mentirosos. Gundam W foi um, apesar de ser bem mais desculpável que G Gundam, uma serie que misturava kung-fu com robôs e super poderes. Também houveram versões bem curiosas, como a que menininhas bonitinhas vestiam armaduras minúsculas baseadas nos designs de Gundam...

Com o sucesso de Gundam e a possibilidade de merchandising, logo começou outra grande peculiaridade do gênero: os Gunpla, modelos montáveis de plástico baseados em robôs da serie. Não, não foi com Gundam que robôs começaram a ser transformados em modelos montáveis. Mas foi com essa serie que eles se popularizaram. Talvez seja pelo fato de serem os primeiros robôs mais realistas, mais próximos dos carros e motos, que já naquela época, eram bem detalhados. Isso atraiu até pessoas que nem assistiam o desenho, só pelo prazer de montar um robô realista. Hoje, já existem modelos montáveis super detalhados, alguns enormes e até uns do tamanho de pessoas.

O curioso é que do lado dos Super Robots, outra grande febre dos brinquedos se iniciava: a dos Chougoukin. Chougoukin é o nome da fibra de que é feito o Mazinger Z e foi o nome dado a uma linha de brinquedos feito de metal, da Bandai. Mazinger Z, obvio, foi o primeiro, mas muitos robôs de animês e series de tokusatsu foram transformados em figuras de metal. Esses brinquedos eram mais caros do que os de plástico, claro, e cobiçados pela criançada. Hoje, são pecas de colecionador, custam os olhos da cara e não são tão fáceis de achar. A Bandai lançou uma nova serie de chougoukin atualmente, que inclui até os robôs de Evangelion e é feito mesmo para adultos babões.

Os videogames também aproveitaram bastante dos robôs. Mesmo que a maior parte desses jogos não tenha ido para o Ocidente, no Japão, eles conseguem ótimas vendas e são series tão longevas quanto os grandes clássicos dos games. Claro, adventure games, fighting, tudo isso, é o mais provável, mas o que tornou as marcas de series de robôs memoráveis em videogames foram os jogos de estratégia.

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