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Um Retorno Mais do que Esperado – Pelo Menos para Mim!
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01- 02 - 03


    É muito bom poder ver o Anime-Pró retornando à atividade e, claro, ter a minha coluna de volta. Espero que o site continue a manter a comunidade de fãs de anime e mangá informada por muito tempo ainda e que o Júnior tenha muita força para estar a frente deste projeto. Afinal, é bom ter as informações fresquinhas e em português ao acesso de todos, inclusive o meu. Mas vamos à nossa primeira coluna que a partir de agora deve se tornar quinzenal e deve valer cada minutinho do tempo que você leitor ou leitora está gastando comigo. ^_^
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    Durante a nossa ausência – e já se vão bons 4 meses – podemos dizer que muita coisa aconteceu e, ao mesmo tempo, pouco mudou para os fãs de shoujo anime e mangá no Brasil. Tenho em mãos a última edição (#36) de Fushigi Yuugi – tema central de nossa coluna, fora as constantes notícias de que Fruits Basket é um sucesso de público e vendas, fora outras coisinhas (**sei que vou esquecer de algo). De desanimador, pelo menos para mim, janeiro trouxe a notícia dos tais “anime comics” quando esperava, sinceramente, ver cumpridos os anúncios informais de que Karekano chegaria às nossas bancas. Mas vamos por partes, claro.
    Apesar de haver sido vaticinado – por mais de um vidente do meio animangático (para ter acesso às vendas de nossos mangás, só sendo vidente mesmo.) – que Fushigi Yuugi era o grande abacaxi da Conrad, o mangá de Watase Yû chegou ao seu fim. Por que enfatizo isso? A respeito de Fushigi Yuugi foi dito de tudo, desde que o mangá não venderia até que não haveria sintonia entre o público brasileiro e este tipo de material, pois teoricamente o shoujo mangá não satisfaria a nossa “latinidade” (entenda-se isso como libido à flor da pele, malandragem, gosto por humor rasteiro e uma pitada de violência), portanto, poderíamos esperar por um cancelamento a qualquer momento, ainda mais, sem o anime na tv. Nunca me deixei impressionar muito por esses papos, que oscilavam entre a desinformação e o preconceito maldisfarçado, mas o fato é que muita gente – até bem informada – ficava repetindo essas coisas para cima e para baixo na net.
    Interessante foi ver que o mangá nunca atrasou e que o único fracasso assumido – ou mal assumido, sei lá – da Conrad foi Dr. Slump pai do imbatível Dragon Ball. Pena, porque até que o mangá era simpático. Já Fushigi Yuugi passou por percalços, pois é assim que eu qualifico a mudança de papel – aplicada democraticamente a diversos mangás da editora, a tradução apontada por muitos como irregular, e, porque não dizer, a falta de material extra. Tal fato ficou mais marcante ainda na última edição. Temos um mini-pôster, verdade, mas a própria editora poderia ter valorizado o produto falando da autora, do anime, da continuação em mangá e livros das histórias no universo do “Shijin Tenchisho”. Dias depois (**esta é a segunda versão da coluna), vi que havia um artigo muito interessante no site da Herói mas a série merecia mais, principalmente, sendo o único shoujo da editora. Aliás, muito me preocupa o fato da Conrad não ter anunciado imediatamente um substituto, ou pelo menos que esperássemos “surpresas”. Dizer que deveríamos continuar prestigiando os outros mangás é esquecer que Fushigi Yuugi era único entre os produtos da editora e que existe o risco de perder consumidores.
    Falando especificamente de Fushigi Yuugi, sei que a série tem muitos fãs o que se explica por vários motivos: algumas personagens são realmente cativantes, a história é convincente na maioria do tempo, o casal central é simpático, a Miaka do mangá é uma garota LEGAL (**só lamento por quem só viu parte do anime), e a arte de Watase vai se aprimorando no correr dos volumes. No entanto, eu preciso diqer que Fushigi Yuugi é somente uma obra mediana que empolga muito quando você não tem conhecimento profundo do universo dos shoujo mangás e suas possibilidades. Isso quer dizer que estou falando contra a série? Claro que, não. Ela foi uma boa introdução, principalmente em um mundinho dominado por shonens e CLAMPs, mas não representa nenhum grande salto ou ousadia. A obra da própria Yû Watase oferece exemplos mais bem acabados, afinal, ela continua se aperfeiçoando como artista, seja nos desenhos, seja nos roteiros, e se tornando mais independente, o que me agrada, apesar de eu não ser fã da mãe de Tamahome e cia.
    Quem lê os free-talks de Fushigi Yuugi sabe bem o que eu quero dizer com independência, pois, assim como o autor de Rurouni Kenshin, Watase deixa clara a intervenção do editor em seu trabalho. Fazendo ajustes necessários, ou não. A própria “esticada” que a história sofre, pode ser entendida dentro do contexto das pressões que uma autora ou autor sofrem quando sua obra faz sucesso. Eu, particularmente, não gostei da segunda fase do mangá – conheço gente que adora – porque acho que tudo se teria fechado muito bem no nosso volume #26. Não deixei de comprar, mas a história foi se desgastando um pouco a partir de então. Como esticar uma série sem que isso aconteça? Muito difícil.
    Enfim, vou sentir saudades de Miaka, Tamahome, Nakago, Hotohori e tantos outros, vou lembrar dos momentos mais marcantes da série que, aliás, já esteve entre minhas favoritas alguns anos atrás, mas, acima de tudo, vou lamentar não ter mais nenhum shoujo da Conrad para comprar. Mesmo se a editora cismasse de lançar outra obra de Watase, seguindo a linha “Clamp complex” da JBC, seria muito melhor do que não ter nenhum shoujo nas bancas. Fiquem de olho, pois agora temos somente dois sobreviventes, X pela JBC e Peach Girl da Panini. Mas aviso que logo, logo, só teremos um, pois a CLAMP não lança nada de X faz pelo menos dois anos. Se não me engano, faltam somente quatro edições para que o mangá, caso nada aconteça, se torne um novo Evangelion.
    Minha sugestão? Escrevam para a Conrad pedindo mais shoujos, dizendo que gostaram de Fushigi ou mesmo que não gostaram e que preferem que a editora lance o mangá X ou Y. Afinal, a gente precisa assumir nossas posições, dar nossa opinião, sem ser preconceituoso. Se não gostou de Fushigi Yuugi, não quer dizer que não vai gostar de outro shoujo que a editora possa trazer. Para quem estiver com um pouquinho de disposição, entre lá no site da Herói e deixe seu recado, porque o número de sujeitos que aparecem por lá para falar mal de Fushigi Yuugi – provavelmente só para marcar território, sem conhecer nada do mangá ou de shoujo em geral – é imenso. Até para dizer que “Não gostou” é preciso consistência.
    Mas eis que as editoras nos trazem os “anime comics” querendo explorar ao máximo o sucesso de séries como Yu Yu Hakushô e Cavaleiros do Zodíaco. Senti-me meio traída, pois aguardava ansiosamente por janeiro, confiando que teríamos novidades realmente novas. Não vou ficar jogando conversa fora, dizendo que a empreitada da Conrad e da JBC não vão dar certo, mas acho o preço dos volumes muito salgado, principalmente os de Yu Yu Hakushô.
 

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