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Uma breve
introdução...
e sobre como eu comecei - parte 1!
PARTE 2
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Assim, os anos 60 viram surgir uma nova revista, a Margaret voltada para
meninas que estavam no ginásio, e entrada no mercado de quadrinhos de uma
série de artistas mulheres, como Masako Watanabe, Miyako Maki, Hideko Mizuno,
Toshiko Ueda, algumas das quais debutando muito jovens, e que deram novo
fôlego ao gênero. Artistas como Hideko Mizuno – autora do mangá de Honey
Honey – , Chikako Uraga e Kyoko Yamashita – criadoras do primeiro shoujo de
esportes, Attack Nº 1, inspirado pela vitória da seleção japonesa de vôlei
na Olimpíada de Tóqio – foram peças fundamentais para lançar as bases do
gênero e que foram as grandes desbravadoras. Isso porque entraram no mercado
editorial quando esse era quase absolutamente masculino, se afirmaram pela
sua arte, deixaram o exemplo para outras mulheres. Na segunda metade dos anos 60, o shoujo mangá ampliou o campo das histórias trazendo não somente “o olhar feminino sobre o cotidiano feminino” mas também introduzindo temas jamais vistos mesmo no universo do mangá masculino. A grande inovação do quadrinho feminino entretanto foi na narrativa, pois, sem abrir mão do estilo cinematográfico e de recursos utilizados pelo quadrinho masculino, o shoujo rompeu com a linearidade dos quadros, desenvolvendo a ação sem necessariamente ser escravizado por ela. Nesse sentido vale a pena falar que boa das pessoas que não tem o costume de ler shoujo mangá mas está muito acostumado com o shonen e/ou o quadrinho ocidental acaba se sentindo perdido, como se faltasse algo. Daí que muitos sem ter a sensibilidade de reconhecer a diferença, acusam as quadrinistas de shoujo mangá de serem não-acadêmicas - Afinal, há algum problema nisso? - ou de péssimas desenhitas ou de incompetentes como contadoras de histórias. Ora, tanto espaço vazio por quê? E essas flores aqui e ali, só são para enfeitar? E não percebem, claro que cada flor tem um significado que se remete ao estado de espírito da personagem. Por que os closes em rostos e olhos? Ah, é porque elas não sabem desenhar cenários e por aí vai... Obviamente, existem desenhistas shoujo que seguem os canônes dos quadrinhos masculinos em relação aos enquadramentos e forma de conduzir a ação mas estas não são a regra, mas a exceção. Outras, mesclam de forma criativa o "melhor de dois mundos" e tem se saído muito bem. Um marco nessa nova forma de narrativa, agora definitivamente diferenciada da do shonen mangá, foi Fire! de autoria de Mizuno Hideko e que foi publicado entre os anos de 1969 e 1971 na revista Seventeen. Fire! foi um dos primeiros shoujos a atrair uma audiência masculina e direcionado a um público mais velho e aborda de forma realista a trajetória de um jovem americano (Sim, o protagonista é um rapaz)injustamente internado em um reformatório, lá ele conhece um jovem rebelde e mais velho que o introduz no mundo da contra-cultura, com direito à primeira cena de sexo em um mangá shoujo, drogas e rock-and-roll. A história contada com maestria e recheada de temas contemporâneos, drama e tragédia, foi um sucesso e mostrou o amadurecimento das histórias shoujo abrindo caminho para a “Revolução dos Anos 70” que iremos abordar na nossa próxima coluna. Valéria Fernandes shoujofan@bol.com.br << Voltar |