Denise Akemi
Anime Pró 22-02-2006

01- Qual foi seu primeiro contato com desenhos?
Desde pequena sempre gostei de desenhar. Isso vem de qualquer criança 🙂
Mas o estímulo para seguir essa profissão veio de minha tia, que na época trabalhava para a revista Cláudia (era a nutricionista), e sempre me dava várias dicas de materiais e de portfólio que ela buscava com os profissionais da Editora.

02- Você se influenciou por algum desenhista em especial? Hoje em dia, quais são suas principais influências?
Mauricio de Sousa sempre foi um exemplo pra mim. Tinha uma vontade enorme de poder fazer parte de seu estúdio.
Não apenas com ele, mas também na linha Disney de quadrinhos. Sempre enviei cartas com desenhos, criações e histórias e ficava animada quando eram publicadas. Com o tempo, passei a gostar de outros temas, entre eles o mangá. Os artistas que aprecio atualmente são Kairi Yuura, Daisuke Moriyama, Yuu Higuri, etc. Dos artistas de mangás fica apenas a apreciação pela arte, desconheço outras produções ou a influência que trouxe aos leitores. Prefiro basear-me pelos artistas daqui, tanto pelo esforço, arte e caráter. ^^

03- Desses mangás publicados no Brasil você acompanha algum? Quais são seus mangás favoritos?
Poucos. Ficaram caros, não dando condições para colecionar 🙁
Tenho um ou dois volumes de cada, mas coleciono apenas Video Girl Ai, Samurai X e Vagabond.

04- E animês preferidos?
Yu Yu Hakushô, Rurouni Kenshin, Pretear, Fruits Basket. Mas gostei também de Wolf’s Rain, Last Exile, Matantei Loki Ragnarok.

05- Qual foi sua primeira participação em fanzines?
Foi com o próprio fanzine Tsunami em 97.

06- E qual foi o primeiro fanzine encabeçado por você? Como ele era?
Foi o fanzine Tsunami também. ^^
Fiz junto de minha irmã. O primeiro número continha apenas sátiras de Yu Yu Hakushô e Cavaleiros do Zodíaco.

07- Nessa época, você recebia apoio de seus pais?
Não muito. Meus pais nunca se incomodaram, desde que eu estive me sentindo bem com o que fazia. Cobrança maior foi quando comecei a fazer trabalhos e não receber por eles. Disso veio a desconfiança pela carreira de desenhista e a falta de credibilidade pelas Editoras. 🙁
Até hoje essa desconfiança continua.

08- E quando surgiu o primeiro convite profissional a partir de um fanzine seu?
Eu já fazia alguns trabalhos de ilustrações para algumas editoras, mas a partir do fanzine foi a publicação do mesmo.

09- Qual foi seu primeiro trabalho publicado profissionalmente?
Eu fazia algumas ilustrações para a revista Animax, mas considero como trabalho profissional a publicação da revista Como Desenhar Mangá.

10- Financeiramente falando, o trabalho valeu a pena?
Depois de um certo tempo, quando se consegue uma estabilidade e trabalhos fixos, posso dizer que sim. No início você acaba nem sendo remunerado por não ter “nome” no mercado, ou pelo fato de ser desconhecido. É esse tipo de visão que ainda desestimula muita gente a tentar algo nesta carreira.

11- Como foi o contato com a Brainstore?
O editor entrou em contato comigo para fazer uma série sobre construção de personagens de mangá.

12- A partir da Brainstore surgiu a primeira versão da revista Tsunami, na época os atrasos eram imensos, qual era o motivo desses atrasos?
A revista não tinha uma estrutura definida. Quando foi proposta a publicação, o editor já tinha algumas histórias prontas e que logo foram utilizadas para o primeiro número. Para o segundo volume, foi preciso de tempo para fazer as HQs e esperar o retorno das vendas da primeira.

13- Quantas edições durou a revista?
Duas.

14- Após o término da revista, como você se sentiu?
A gente fica triste de não conseguir tocar um projeto pra frente, mas ao mesmo tempo indiferente, pois a revista não tinha todo planejamento que esperava.

15 – A oportunidade de editar a revista novamente, agora com a Trama (atual Talismã) demorou para ocorrer? Como foram as negociações?
Na época, estava começando a realizar alguns trabalhos para a Trama (atual Talismã) e o Cassaro conversou comigo sugerindo a publicação da Tsunami e quais as propostas da revista. Não tinha base de como editar uma revista, mas isso o próprio Cassaro se deu ao trabalho de reservar algumas horas para ensinar editoração. ^^

16- E como foi a produção de Holy Avenger Especial?
O roteiro foi feito pela Fran e Petra, com revisão do próprio Cassaro. Ele enviou-me um roteiro pré-diagramado onde deveria seguir sua construção.

17- Fale um pouco sobre o sucesso de Holy Avenger!
É muito bom ver que outro título nacional tenha se destacado tão bem em nosso mercado, tendo ainda mais utilizado o mangá como referência. Isso serve de exemplo para muitos outros que planejam lançar seus trabalhos e que o empenho e dedicação da equipe fazem valer todo esforço. :))

18- Voltando a Tsunami: você acumula função de editora de título sob a chefia do Cassaro, certo?
Sim, fico no encargo de gerenciar as histórias e desenhistas que entram na revista. A revisão final será dele.

19- Como funciona esse esquema?
É muito bom ter o acompanhamento de alguém experiente e que sempre inspira confiança. Você se sente mais seguro no que faz.

20- Quantas propostas de histórias a Tsunami recebe por mês?
Histórias são sempre em menor proporção do que desenhos.
Ainda há poucas histórias que possam ser aproveitadas e poucos roteiristas versáteis que consigam alterá-las conforme for solicitado.

21- Como se dá a seleção?
Para os roteiristas não temos uma preferência por temas, mas desde que a história de alguma forma consiga despertar a atenção e entreter enquanto lemos. Para os desenhistas devem ter noções de quadrinhos, uma arte atraente e não ter dificuldades de desenhar conforme o que for pedido no roteiro.

22- Pode adiantar alguma das novidades que a revista promete?
A revista sempre contará com novos artistas e roteiristas. O volume de portfólios apresentados mostraram uma excelente melhora dos artistas e que alguns já estarão presentes nas próxima edições. ^^

23- Deixando essa parte mais série, nos responda, quanto tempo você fica sem dormir desenhando?
Geralmente os prazos estão sendo mais tranqüilos, mas quando é enviado algo de última hora, e com urgência, tenho que dispensar o descanso até entregar na data. Nesses dias, só é possível dormir por duas horas.

24- Sinceramente: o quanto a vida pessoal de um desenhista pode ser bagunçada pelo trabalho?
Quando se pega um trabalho fixo e urgente, não sobra tempo para diversão, nem sair com os amigos (que me ligam insistentemente para me tirar da mesa ^^”).

25- Os seus pais já não olham mais torto para você agora que você é conhecida no meio?
Eles nem sabem como funcionam as revistas. Apenas perguntam se a Editora cumpre com pagamento. ^_^”

26- Deixe uma mensagem para todos os seus fãs e um estimulo para aqueles que pretendem se tornar desenhistas como você.
À todos muito obrigada pela atenção (e paciência ^^).
Desenhista é uma profissão muito almejada, mas que também acaba trazendo muita decepção. Se esforce sempre, procure tirar dúvidas com outros profissionais a respeito de seu trabalho. Fazer cursos não significa que esteja ruim, mas que estará acrescentando seus conhecimentos sobre a área. Quanto mais informação e segurança você demonstrar, maior a possibilidade de conseguir entrar nesta área. Não exclusivamente com revistas de mangás. O mercado de desenho é grande, tendo apostilas, livros didáticos, sites… Um bom currículo pode fazer diferença. Se algo não der certo, não fique mergulhado na desilusão. Quando a gente insiste de forma positiva, coisas boas sempre virão a nosso favor. ^^

Obrigada também à equipe do Anime Pró e muitas felicitações pelo excelente trabalho informativo que vem realizando. ^_~

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