DChan
Anime Pró 21-02-2006

Em um mercado de tão difícil acesso, conseguir reconhecimento internacional é ainda mais trabalhoso. Tivemos um bate-papo rápido com Davison Carvalho, que nos contou um pouco sobre seus trabalhos e como lançou o reconhecimento de algumas editoras do país onde o manga nasceu.

Desde quando você desenha?

DC – Bem, eu rabiscava alguma coisa por volta de 1985, mas eu só tive contato com um estilo mais manga em 1989 (graças ao Akira). A partir de 1993, devido a fatores mais fortes que eu e qualquer outra coisa, comecei a trabalhar e abandonei os desenhos por quase 6 anos. Só voltei a desenhar em 1999 e foi, a partir daí, que jurei nunca mais parar ou desistir de desenhar. Com isso, posso dizer que desenho há mais ou menos 11 anos.

Você acha que foi influenciado por algum mangaká?

DC – Com certeza! Não posso dizer que somente um mangaká me influenciou, pois acabei conhecendo o trabalho de muita gente ao longo desses anos. Mas, sem dúvida, os que mais me marcaram foram: Katsuhiro Otomo e Masamune Shirow.

Você tem um desenhista preferido?

DC – Bem, é como eu havia falado anteriormente: não tenho somente um desenhista prefererido. Eu curto muito os trabalhos do Katsuhiro Otommo, Masamune Shirow, Yoshiuki Sadatomo, Masakazu Katsura, Kosuke Fujishima, Meimu, entre muitos outros. Mas, recentemente, me chamaram muito a atenção os trabalhos da japonesa Aoi Nanase e do coreano Hyung Tae Kim. Posso arriscar dizer que esses são os meus desenhistas preferidos.

O que você acha do mercado brasileiro? Há espaço para novos talentos?

DC – O mercado brasileiro ainda não é algo que podemos dizer: “Nossa, que beleza!” Atualmente, estou muito contente com a quantidade de publicações lançadas relacionadas à mangá. As editoras estão de parabéns pelos trabalhos que vêm realizando, porém ainda deixam muito a desejar, principalmente em questão de qualidade de impressão. Como o mercado é muito restrito e não abrange muitas camadas da sociedade, as editoras não podem arriscar uma publicação de custo alto. Não dá pra fazer como na França e Inglaterra,onde há um público garantido. Sobre espaço para novos talentos, claro que têm espaço, mas é um pouco difícil, mesmo porque o mercado já está um pouco saturado e raramente aparece alguma coisa inovadora e que não siga as tendências do mercado. Geralmente, vence quem se deixa vencer, se é que dá pra entender isso que eu disse. Mas, observando as mudanças culturais que viemos sofrendo nesses últimos anos e a onda da empolgante geração Dragon Ball, por exemplo, acho que o mercado brasileiro de manga só tende a crescer. Lembro que antigamente só havia umas duas publicações periódicas nas bancas. Hoje em dia, nós no sdeparamos com mais de 10 publicações.

Você já desenhou profissionalmente?

DC – Remunerado, nunca. Até agora não apareceram boas oportunidades, mesmo porque reservei um pouco para tentar me aperfeiçoar e também eu não gostava muito da idéia de ser pago para desenhar. Vi que várias pessoas, depois que começaram a ser pagas por seus desenhos, tiveram uma interrupção em sua evolução artística e criativa. Mas é claro que se aparecer algo legal, vamos lá!

Recentemente, você foi premiado com algo que não esperava, certo? Conte-nos um pouco sobre isso. Qual foi a sua reação?

DC – Isso foi realmente inacreditável! Num dia, eu estou ralando para conseguir uns 100 acessos diários pro meu site e no outro tive 1600 hits! Assim que vi isso pensei que fosse algum ataque e logo fui olhar meus e-mails e, para minha surpresa, novamente tinha uns 200 e-mails novos. Quase tive um ataque. Com muita calma, no meio de tantos e-mails, achei três que me explicaram a situação: dois portais de desenhistas japoneses, em conjunto com duas editoras pequenas, estavam realizando uma espécie de concurso para eleger os melhores artistas por obra, site de arte, foi nessa que eu entrei de bobo. Meu site estava sendo indicado em várias páginas de desenhistas japoneses e coreanos com quem fiz contato ao longo do tempo. E quando os organizadores viram meu site, me inscreveram nessa sem eu saber.
Claro que, logo depois da inscrição, esses loucos me avisaram. E ainda bem que eram loucos, pois rolaram as eliminatórias e eu fiquei em 1º lugar dentre uma seleção de 120 artistas escolhidos de outros 3600, ou seja, eu fui o 1º brasileiro e o 8º estrangeiro a ter registro lá com os japoneses do site. Mas o incrível é que fui o único brasileiro a conseguir algo do tipo e como conseqüência rolou um pouco de inveja dos japoneses, porque acabei virando matéria de sites e fanzines. Pois bem, acho que existem outros artistas brasileiros que mereciam esse reconhecimento muito mais do que eu. Só que depois de ter levado alguns puxões de orelha deles mesmos por eu ter dito isso, só posso dizer que é uma honra enorme representar o Brasil e que, com certeza, me empenharei ao máximo para que isso aconteça com outros brasileiros também!

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