Shoujo Café 34 – Ano Novo cheio de novidades
Anime Pró 14-02-2007

Iniciamos fevereiro com boas notícias, pelo menos para os fãs de shoujo mangá.  Timidamente os títulos vão aparecendo e talvez 2007 seja um ano mais democrático em relação às publicações.  A nova editora no mercado, a NewPOP, estréia com um shoujo mangá, a Conrad está com Paradise Kiss quase saindo do forno e a Panini surpreendeu com mais um título curto.  Falta a JBC, mas nada impede que a editora comece a se mexer, ainda mais com Fruits Basket na reta final.

Ano passado fiquei sabendo com antecedência de alguns lançamentos.  Foi o caso de Paradise Kiss e de 1945, claro, mas de resto sei tanto quanto os leitores desta coluna “quase quinzenal”.  Por mais que alguns achem que sou insider, não tenho acesso à grande maioria das informações “secretas”.  Por isso mesmo, fiquei feliz com o novo shoujo da Panini, anunciado no domingo passado.  Acho que foi um belo presente de aniversário para mim.

Até o anúncio da Panini eu não conhecia Shiritsu! Bijinzaka Joshi Kouko ou, como vai se chamar no Brasil, Colégio Feminino Bijinzaka.  Acompanho o bom desempenho de Galism, outro mangá da mesma autora, no Japão e que já está saindo na Espanha, mas sua obra anterior me tinha passado despercebida.  Galism vende bem e sempre está bem colocada nos rankings da Taiyosha.  Mas, como sempre, bastou uma pesquisa para obter algumas informações úteis. Colégio Feminino Bijinzaka tem três volumes, já saiu na França, Espanha e na Itália, o pessoal do Shoujo Manga Outline elogiou bastante a série.  Este site italiano é muito bom e lá ninguém faz elogios a toa.

Como alguém me escreveu perguntando se era verdade que o novo shoujo da Panini era ruim, decidi comentar o mangá nesta coluna.  Assim, ajudo a dissolver essas ansiedades ou pelo menos tento.  Como já disse, não tinha lido nada do mangá antes de seu anúncio. Desde então procurei pelo primeiro capítulo que foi traduzido pelo Sugar Oásis. Como estava procurando em “B” e, não, em “S”, não tinha visto que ele estava disponível no Manga Rebels e estava esperando na fila do E-Mule ou me aborrecendo no pavoroso Mirc. Pois bem, percebi o equívoco e li o capítulo, o único que foi traduzido. Seguem meus comentários.

Gostei do que li. Não vou dizer que achei magnífico, mas foi somente o primeiro capítulo e a tradução dos fãs me pareceu confusa em alguns momentos. O mangá tem humor, a protagonista, Nonomya, é simpática, cara-de-pau e valente. O quadrinho lembra muito Peach Girl no traço, verdade, mas não podemos esquecer que a série está dentro da estética “Gals” e saiu na revista concorrente, mais ou menos na mesma época.

Apesar de tudo, Nonomya não se parece com Momo, porque não é ingênua, passiva e briga pelo que quer.  Às vezes, é até debochada. Não ficou muito claro se a sua expulsão do antigo colégio foi indevida, mas o fato é que ela não leva desaforo para casa. A garota é órfã de mãe e o pai está longe, o que nos mangás e animes é sempre muito conveniente. Seu tio materno é um bishounen lindo e lembra um pouco o Doutor Umeda de Hanakimi.  Não, não, ele não parece ser homossexual. Aliás, não há nenhuma sugestão do gênero no primeiro capítulo.

A protagonista tem dificuldades em fazer amigas. Por ser meio tomboy, ela se dá melhor com os garotos e tem um amigo de infância, Yohei Jinbo, que muito provavelmente gosta dela.  O rapaz não apareceu muito no primeiro capítulo, afinal, ela teve que se mudar e sua escola atual fica distante três horas da antiga, assim, falaram-se por telefone. No primeiro dia de aula ela conhece Chihiro Narushima, que parece ser um cara legal, meio brincalhão e abusado como o Kairi, aliás, ele lembra muito a personagem de Peach Girl.  Não sei se tem as mesmas nóias e problemas de família, mas à primeira vista a semelhança é grande.  O rapaz estuda na escola masculina ao lado e deve disputar o coração da moça.

No colégio novo, Nonomya resiste às regras de formatação de boas moças, aliás, Chihiro já tinha dito que o colégio era uma espécie de linha de montagem.  O fato é que Nonomya se sente um peixe fora d?água.  A única pessoa que fala com ela é uma menina muito formal e gentil tenta se tornar sua amiga.  A personagem desconfia das boas intenções da moça e eu, também.  Aposto que ela é falsa, mas só saberemos nos próximos capítulos.

A protagonista vê que algumas garotas têm privilégios, e que são exatamente essas que pegam no seu pé. Ou dobram a novata, ou perdem seus direitos extra-oficiais, é a regra não escrita. As três garotas começam a persegui-la e praticar bullying, mas ainda assim, Nonomya não se dobra.  Afinal, as garotas se acham “malvadas”, mas ela com certeza consegue ser muito pior.   Não vou comentar mais sobre a relação entre as três garotas e a protagonista para não estragar a leitura de vocês. Mas gostei do desenrolar.

Ao final do capítulo, Nonomya consegue fazer amigas, mostra seu caráter, e a gente fica com vontade de ler mais. Quem gosta de Peach Girl, mas queria uma Momo com mais atitude, vai gostar do mangá.  Antes de acreditarem em boatos, leiam o primeiro volume. Eu acho que vai valer a pena.  Ah, uma pessoa comentou que Girls Bravo seria outro nome o mangá Shiritsu! Bijinzaka Joshi Kouko.  Bem, o mangá Girls Bravo não é shoujo, mas efetivamente a frase “Girls Bravo” aparece na página de abertura do primeiro capítulo.

No geral a escolha de mangás curtos para intercalar com os longos me parece uma estratégia muito sensata. Não conhecia o mangá, mas não é por causa disso que vou ficar de má vontade.  A Panini é a editora brasileira que mais investe em shoujo mangá no momento e tem trazido ótimos títulos.  O problema é: Onde está Peach Girl?  Um mangá como Shiritsu! Bijinzaka Joshi Kouko vai fazer com que as pessoas se lembrem de Momo, Sae e cia.  Enfim, apesar do bom trabalho que a Panini vem fazendo, não acredito na volta de Peach Girl, aliás, acho pouco provável que mesmo Éden retorne.  Não tomem esse comentário como comentário oficial, porque ele não é, mas como uma séria desconfiança.

Além do novo shoujo da Panini, a Conrad finalmente revelou o formato de Paradise Kiss e como será a capa.  A capa não é bonita, mas é a capa japonesa mesmo, pessoal.  Nos EUA houve duas capas diferentes pela Tokyopop.  A primeira igual à japonesa e uma segunda diferente e mais bonita, mas nada excepcional.  Outra boa notícia é que a Conrad optou pelo tankoubon, isto é, o volume completo.

Não acredito que o mangá saia ainda em fevereiro, mas em março deve estar nas bancas.  Agora, ao que parece a periodicidade não está realmente confirmada como bimestral e o preço é uma incógnita.  Eu torço para que a editora tenha bom senso e em retribuição tenha ótimas vendagens.  Pena não ter mais nada para comentar sobre Paradise Kiss, pois é o grande lançamento do ano até o momento.

Além das cartadas das grandes editoras, o site da New Pop entrou no ar e a filosofia da nova editora foi explicitada em um anuncio oficial.  Eu acompanho de perto o projeto e fico feliz que ele esteja andando.  Li 1945 com antecedência e confesso que foi o mangá curto mais interessante que li em muito tempo.  Keiko Ichiguchi sabe contar uma história.

O Ministério da Educação recomendou uma série de HQs no ano passado e deve fazer uma nova lista em 2007, queria muito que 1945 estivesse entre eles, afinal, é uma abordagem muito interessante das relações humanas tendo a Alemanha Nazista como pano de fundo.  Pode parecer que estou enchendo a bola por interesse próprio, mas não estou.  Esta foi a minha impressão geral.  Vocês poderão ter a sua própria quando o mangá for lançado, provavelmente no dia 24 deste mês no Evento Anime Party.  E, se tudo correr bem, em breve teremos América, que é da mesma autora.

Por último, fica a JBC que no caso dos shoujo mangá continua na mesma.  Temos fruits Basket entrando em sua reta final.  Dia 16 de fevereiro sai o volume 20 brasileiro e ficam faltando somente mais três.  No Japão o volume 22 vem fazendo bonito nos rankings de vendagens, seja da Taiyosha, seja da Tohan.  Quando o último volume japonês sair em março, acredito que as vendagens do mangá atinjam níveis ainda mais excepcionais.

Não sei se aqui Fruits Basket vende tão bem quanto deveria.  Como saber com a política que temos neste país?  Mas lá fora o mangá é visto como uma fonte certa de lucro.  Por mais uma no consecutivo, o site americano ICV2 colocou Fruits Basket entre os mangás que mais darão lucro no ano.  Nas projeções Fruits Basket só perde para Naruto, que tem anime na TV.

Falação à parte, gostaria muito que a JBC anunciasse alguma coisa.  Por mais que a editora não se interesse em melhorar a qualidade com a mesma ânsia que aumenta os preços, ela tem uma importância crucial no mercado, não cancela títulos e investe em produtos que podem ser consumidos por crianças, jovens e adultos.  Fruits Basket, Negima e Full Metal Alchemist, por exemplo, tem esse apelo mais amplo, coisa que um Sanctuary não tem, por exemplo.  E Mouse e Love Junkies atende a um público que é deixado à margem pelas outras editoras.  O problema é que a JBC está negligenciando os fãs de shoujo mangá e a Panini está ocupando bem o espaço, já que a Conrad não se mostra interessada por esse nicho.

Gosto da JBC e gostaria de poder anunciar algo novo da editora com a mesma vibração de quando anunciei Fruits Basket… mas parece que não me darão esta chance tão cedo.  De qualquer forma, foi bom poder fazer uma coluna falando de três lançamentos (América não conta ainda!) de shoujo mangá, espero que seja somente o começo!

Até semana que vem!

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Valéria Fernandes

shoujofan@uol.com.br

http://www.shoujo-cafe.blogspot.com

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P.S.1: O site norte americano Manga News fez uma série de matérias especiais sobre yuri e shoujo-ai.  Traduzi uma delas e disponibilizei no meu blog.  Quem quiser visitar, é só clicar.

P.S.2: Em 26 de janeiro a eBookJapan’s I-Book Initiative Japan lançou o seu projeto “Certificado de Shoujo Mangá” que visa testar os conhecimentos de shoujo mangá dos participantes. A revista Josei Jishin, uma publicação para mulheres, trouxe uma matéria sobre o assunto. O teste será supervisionado pela mangá-ka Machiko Satonaka e contém questões de séries populares de shoujo mangá como Nodame Cantabile, Honey and Clover, Sailor Moon e Chibi-Maruko-chan, assim como clássicos (*Chibi Maruo-chan é clássico!*) como Patariro e A Rosa de Versalhes. O teste inclui josei e BL/yaoi como shoujo, pelo menos a chamada assim dá a entender.  Eu defendo que a separação ainda não se fez, mas como não leio japonês, não pude entrar e ver o que há no teste. A matéria original está no site japonês YuYu Diary, eu traduzi do Comi Press e fiz algumas objeções e acréscimos. Queria muito fazer o teste, mesmo sabendo que se acertasse 20% estaria no lucro. ^_^

P.S.3: Há o link para uma matéria no site Anime News Service que comenta um evento que seria o sonho de todos os verdadeiros amantes de shoujo mangá. No 31 de janeiro, durante os eventos do 10º aniversário do Festival de Artes e Mídia chamado “Poder da Expressão do Japão” aconteceu uma palestra intitulada “Meio Século de Shoujo Mangá”. Estavam presentes Moyocco Anno (Hataraki Man, Happy Mania, Sakuran, entre outros), representando a nova geração de mangá-kas; Takemiya Keiko (Kaze to Ki no Uta, Terra E), uma das grandes revolucionadoras do shoujo nos anos 70 e a quem se credita a invenção do shounen-ai/BL; Machiko Satonaka (Umi no Aurora), que aos 16 anos tornou-se a mais proeminente mangá-ka da geração que começou a substituir os homens nas revistas shoujo nos anos 60; e a pioneiríssima Masako Watanabe que começou a carreira no final dos anos 40 e acompanhou os primeiros passos do shoujo mangá. Astistas de peso, com certeza.  Satonaka ressaltou que quando começou a ler mangás, ela achava que os mangás descreviam de forma tão rica a psicologia das personagens que ficava na dúvida se o autor não seria uma mulher usando nome de homem, mas com o passar do tempo, pequenos detalhes começaram a incomodar, como o fato das personagens eram sempre parecidas e alguns detalhes, como o fato das personagens usarem sempre as mesmas roupas incomodava. Como mudar isso? Fazendo você mesma, e foi isso que as mulheres de sua geração fizeram. A jovem Moyoco Anno disse querer estar presente como palestrante no evento celebrando “100 anos de Shoujo Mangá”. Dada a longevidade dos japoneses, é bem possível. Engraçado é que Hataraki Man, cuja imagem aparece ao fundo, não é shoujo, mas poderia ser. Deve ter sido um evento memorável. ^_^

P.S.4: A Tokyopop e a Gentousha anunciaram o lançamento simultâneo agora em fevereiro da continuação do mangá Gravitation de Maki Muramaki. A primeira edição de Gravitation EX chegará às bancas e livrarias do Japão, América do Norte e Europa no mesmo dia. É a primeira vez que algo assim acontece e mostra o interesse da Tokyopop em promover o seu novo mangá, já que Gravitation foi um dos grandes sucessos da editora e talvez o grande responsável pelo boom de publicações BL/Yaoi nos EUA. A Gentousha e a Tokyopop acreditam estar trabalhando juntas pela globalização dos mangás ao promoverem esse lançamento inédito. Muitos “yaoi haters” devem estar se roendo de raiva agora. Gravitation EX continua de onde o mangá anterior de 12 volumes parou. Gravitation é um dos mangás yaoi mais pedidos pelos fãs brasileiros que não se vêem atendidos pelas editoras. Gravitation também teve série animada e um OAV que obtiveram grande sucesso.

P.S.5: A revista Galileu veio com uma grande matéria sobre fansubers.  Qualquer um pode ter acesso à matéria completa, basta se cadastrar. Estou postando somente a parte em que falam de fansubers de anime. Aliás, fiquei surpresa e o tom da matéria é complacente, aliás, complacente até demais… O sujeito que está dando a entrevista é esse cosplayer. A parte em que dizem que as traduções dos fãs sai melhor que o trabalho profissional, é a pura verdade.  Para quem quiser ler somente a parte que fala dos fansubers de anime, é só visitar o meu blog.

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