Review: Mangá Saint Seiya Kanzenban 1 e 2

O ano era 1994. Em um final de tarde qualquer eu e meu irmão assistíamos a extinta Rede Manchete que exibia cartoons americanos convencionais (creio que Corrida Maluca era um deles), quando do nada apareceu um comercial que nos encheu os olhos: Os Cavaleiros do Zodíaco. Intrigados, aguardamos ansiosamente o dia da estreia. Inesquecível. Creio que essa é a palavra que melhor descreve o sentimento. Aquela animação era diferente de tudo que assistíamos ou já havíamos assistido. Começava uma era de ouro (com o perdão do trocadilho) para os animes na TV aberta brasileira. Depois dos guerreiros de Atena, viram muitos outros: Shurato, Samurai Troopers, Sailor Moon. Mas a paixão por Seiya e seus companheiros é única e permanece em nossos corações até hoje. E que agonia era acompanhar apenas um episódio por dia, em uma época bem distante do Netflix que disponibiliza temporadas completas. Em uma época que spoiler seria uma palavra alienígena. Em uma época que sentar e assistir TV unia irmãos, amigos e famílias. Saudosismo de lado, se você nos acompanha já deve conhecer esse clássico. Se não conhece já adianto que é uma bela oportunidade para começar, tanto o anime (ou os, já que são várias séries e subséries derivadas) e o que trouxe você a esse texto, o mangá.

História de publicação no Brasil

A primeira edição de Saint Seiya, nome original da série no japão, veio pela Conrad em 2000 e também foi um marco histórico no Brasil, já que foi um dos primeiros mangás em terras brazucas, acompanhado de outro clássico absoluto, Dragon Ball, abrindo portas para a enxurrada de títulos em banca hoje. Publicado em papel offset, no formato meio tanko (tankoubon é um volume completo, ou uma edição encadernada lançada no Japão, já que por lá os capítulos são primeiros lançados em edições semanais com várias histórias), a edição era toda em preto e branco e durou 48 edições, entre 2000 e 2004. Um dos grandes destaques era a falta de censura, diferente do anime exibido na Manchete. Logo no começo, quando a Guerra Galáctica é interrompida por Ikki, vemos ele aplicar o seu famoso golpe fantasma em Nachi de Lobo que tem a ilusão de perder seus membros um a um e ser completamente despedaçado. Como essa edição apresentava alguns erros de tradução, foi lançada uma segunda edição, em papel pisa brite (papel jornal). Ainda em 2004, aproveitando o sucesso da série a Conrad também lançou um dos derivados ou spin-off de Saint Seiya, Episódio G, que se passa 13 anos antes da série original e tem como protagonista, Aiolia de Leão. A editora ainda lançou as quadrinizações dos filmes: Cavaleiros do Zodíaco – A Grande Batalha dos Deuses, Cavaleiros do Zodíaco – A Lenda dos Defensores de Atena, Cavaleiros do Zodíaco – O Santo Guerreiro, Cavaleiros do Zodíaco – Os Guerreiros do Armagedon, todas publicadas em 2005, totalmente coloridas e com capa com lombada quadrada.

Depois em 2007, a JBC lançaria outro prequel da série original, Cavaleiros do Zodíaco The Lost Canvas – A Saga de Hades que se passa na época em que os Cavaleiros de Ouro da série original ainda são jovens. Em 2011, a editora lançou Cavaleiros do Zodíaco – Next Dimension: A Saga de Hades, que é uma série que se passa paralelamente a Lost Canvas, porém com alguns fatos diferentes. Em 2012, a editora republica a saga original, rebatizada de Cavaleiros do Zodíaco: Saint Seiya, em papel pisa brite, tankoubons completos e lombadas quadradas. Essa série durou 28 edições e terminou em 2014. Ainda em 2012, a editora lançou Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas – Gaiden, que foca nos Cavaleiros de Ouro na época da Guerra Santa contra Hades. A série durou 16 edições, terminando ano passado. Mais recentemente a editora lançou no final de 2016, outro spin-off chamado Saintia Shô. A série apresenta uma nova classe de guerreiros de Atena, conhecidas como Saintia, uma guarda pessoal da deusa formada apenas por mulheres e tem feito bastante sucesso e ainda está em publicação. Ainda no final do ano passado chegava as livraria e lojas especializadas, Saint Seiya: Cavaleiros do Zodíaco – Kanzenban, assunto principal desse review.

A edição definitiva de Cavaleiros do Zodíaco

No Japão, kanzenban é a palavra para uma edição de luxo (kanzen significa perfeito, completo). Trata-se mais uma vez de um marco histórico de publicação no Brasil. A única que se aproximava disto era uma de Dragon Ball. Essa coleção foi lançada pela Conrad de 2005 a 2009, em papel offset e alguma páginas coloridas. Infelizmente a coleção não terminou e só foi publicado aqui a saga do jovem Goku e o começo da fase Z do anime. Voltando a Saint Seiya, a coleção será publicada em 22 volumes, capa dura, lombada quadrada, papel luxcream (papel de luxo), com 240 páginas em média. O preço é um pouco salgado (R$ 64,90, porém podem ser encontradas promoções frequentes no Amazon Brasil), mas ao final dessa resenha, ou após uma foleada na livraria, creio que muitos vão concordar comigo que vale cada centavo.

Para quem ainda não conhece Cavaleiros do Zodíaco traz a história do órfão Seiya, forçado a ir para um Santuário na Grécia, para obter a armadura de Pégaso, uma das vestes utilizadas pelos 88 guerreiros protetores da deusa Atena. Os cavaleiros extraem seu poder de seu energia interna, aqui conhecida por Cosmo e cada guerreiro tem seu nome associado as diversas constelações do Universo. Quando inicia a história o objetivo de Seiya é encontrar a sua irmã e através do torneio conhecido como Guerra Galáctica ele espera que a mesma o veja pela transmissão na TV (o que em minha opinião é sensacional, já que muitos dos fãs assistiram as batalhas do anime pela TV, antes de conhecermos os mangás). Com o decorrer da história vão se apresentando as motivações dos diversos personagens, bem como alianças e desavenças são formadas. O anime foi dividido nas chamadas sagas, assim temos a Saga do Santuário, a Saga de Asgard (que não existe no mangá, apenas um interlúdio com o personagem Hyoga), e a Saga de Poseidon. O mangá traz ainda a luta dos guerreiros de Atena contra Hades, Senhor do Mundo Inferior, que mais tarde se tornaria uma série de anime. O mangá foi publicado originalmente na revista Weekly Shonen Jump de 1986 a 1990.

 

Ao tomar a edição em mãos, os fãs da saga devem se emocionar como eu. A capa com detalhes prateados no nome e uma bela arte do protagonista Seiya enchem os olhos. Ao abrir a nova edição da JBC, o leitor já pode sentir a diferença. A capa dura, uma encadernação bem feita (ao contrário da primeira edição publicada por aqui, que fazia barulho ao folear e dava impressão que íamos quebrar a encadernação ao meio) e logo de cara já temos um mini pôster colorido com os melhores momentos da edição. A seguir as páginas coloridas são um atrativo bastante interessante e nessa primeira edição elas são bastante numerosas, no começo e do meio para o fim, além dos esquemas de armaduras detalhados e como as mesmas se tornam as vestimentas dos cavaleiros.

Além das páginas coloridas, a qualidade de impressão é alta mesmo em preto e branco e detalhes das artes de Masami Kuramada podem ser desfrutados como em nenhuma das edições anteriores (palavra de quem tem a primeira série completa até hoje e folheou a mais recente antes da kanzenban, já que não tive o menor interesse em comprar). A partir desse momento os comentários podem conter spoilers para quem não viu ainda. Portanto siga por sua conta e risco.

Na primeira edição começamos a história com o treinamento de Seiya na Grécia para se tornar um cavaleiro. Depois começam as lutas da Guerra Galáctica entre os chamados cavaleiros de bronze, até o final da edição com o começo da luta de Seiya de Pégaso contra Shiryu de Dragão. A tradução foi revisada e notas com os golpes e nomes originais estão presentes de forma discreta, sem prejuízo na arte. A edição é maior que as anteriores e isso também permite desfrutar melhor a história e a arte de Masami Kuramada durante horas. Quanto a segunda edição, essa infelizmente não trouxe muitas páginas coloridas. Somente dois dos esquemas das armaduras. Em conversa com o editor da JBC, Cassius Medauar pela internet, ele esclareceu que eles estão seguindo fielmente a edição original, e assim não há páginas coloridas nesta. Mas de forma alguma isso diminui a qualidade da edição que está sensacional. Como disse anteriormente mesmo as artes em preto e branco estão lindas em termos de qualidade de impressão. O esquema de cores da lombada se mantém nesta edição (lombadas vermelhas), mas a partir da próxima teremos mudanças na cor a cada duas edições, as próximas serão verdes. No caso da história, o desfecho da luta de Pégaso e Dragão. Temos também a primeira aparição de Ikki, personagem querido por muitos fãs. A edição termina com o roubo da Armadura de Ouro por Ikki e os Cavaleiros Negros, arco que se estenderá em parte da próxima edição. Por fim ressalto mais uma vez (e não, não estou fazendo propaganda e nem ganhando nenhum centavo por isso), que para os fãs ou aqueles que não conhecem a história ainda, a edição kanzenban é uma belíssima aquisição e a JBC está de parabéns pelo excelente trabalho. Fica a torcida para que mantenham-se boas as vendas e a coleção siga até o final, bem como a qualidade das edições.

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