Especial Battle Royale de Koushun Takami
Anime Pró 12-05-2014

“Daqui em diante coisas pavorosas vão acontecer. Como você disse há pouco, o jogo já começou. Até ontem éramos todos amigos, mas hoje… Matamos uns aos outros.”

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Publicado no Japão em 1999, o livro Battle Royale de Koushun Takami tornou-se automaticamente um sucesso, vendendo mais de 1 milhão de exemplares e sendo adaptado para o cinema e quadrinhos. Uma legião de fãs surgiu, assim como elogios de personalidades respeitadas como Stephen king e Quentin Tarantino.

O fenômeno chegou ao Brasil: A adaptação live-action foi lançada em DVD; os 15 volumes do mangá foram publicados pela Conrad; e agora, em 2014 a obra original chega com uma edição impecável.

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A história se passa na República da Grande Ásia Oriental, atual Japão, onde um governo totalitário está instalado. Nessa República, é organizado um programa onde uma classe do nono ano do ensino fundamental é escolhida para participar de um jogo, cujos alunos precisam lutar uns contra os outros até que sobre somente um.

Dessa forma, a classe escolhida é a da escola Shiroiwa, onde Shuya e seus colegas são raptados durante uma excursão.  Todos são levados até uma ilha e se veem obrigados a jogar, recebendo armas, e sendo equipados com uma coleira explosiva: caso fujam dos limites da ilha, a coleira explode. Além disso, depois de um certo tempo, algumas regiões se tornam quadrantes proibidos, isto é, quem adentrar nesses quadrantes morrerá automaticamente através da explosão da coleira.

“A sala permaneceu em silêncio. Todos aceitaram o fato. Aquilo era real, sem dúvida, não se tratava de uma brincadeira. Eles seriam forçados, a partir daquele momento, a se matar uns aos outros.”

O autor conta a história de uma forma hipnotizante, com uma narrativa envolvente que dosa momentos de violência e crueldade, com cenas românticas e líricas de uma inocência perdida pelas circunstâncias.  Cada aluno reage de uma forma diferente ao jogo, há aqueles que se desesperam completamente, outros que buscam uma forma de fugir, outros procuram aliados, e outros entram no jogo logo de início, matando qualquer colega se necessário.

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O livro mostra com mais ênfase os estudantes Shuya, Noriko e Shogo, que têm interesses em comum e enxergam o jogo de uma mesma forma. Shuya é um garoto popular que gosta de tocar guitarra e cresceu em um orfanato, nunca desconfiou que Noriko fosse apaixonada por ele, já que seu melhor amigo gostava dela. Já Shogo carrega consigo inúmeros mistérios, que serão revelados conforme o livro avança.

“Bem, os bons nem sempre são salvos, e este jogo não é exceção. Mas tenho inveja daqueles que seguem sua consciência, mesmo cometendo erros e sendo rejeitados pelos outros.”

Personagens e polêmicas.
Um dos destaques da história é a galeria de personagens interessantes que o autor criou, principalmente ao analisá-los a partir da situação limite que eles se encontram.

Alguns não lutam somente com o intuito de sobreviver ou vencer a competição. Lutam como se o governo fosse representado por seus colegas, tentando viver somente pela raiva que sentem daquele sistema insano, procurando de alguma forma se vingar daquilo. Outros lutam para esquecer de seu passado conturbado, abrindo cicatrizes emocionais a cada cena brutal presenciada na ilha.

“Nesse momento, ela já estava morta. Na verdade, ela já tinha morrido fazia muito tempo. Fisicamente foi alguns segundos antes, mas psicologicamente terminara havia muitos anos.”

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Cada personagem possui uma trajetória, um passado, uma estratégia de jogo e um desfecho. O autor através de sua narrativa passa por todos os estudantes, alguns com mais foco do que os outros, mas todos são apresentados em algum momento. Porém, muita escuridão se esconde por trás do passado dos alunos: violência doméstica, prostituição, conflitos familiares, enfim todo tipo de drama, que não deveria ser vivenciado por ninguém daquela faixa etária.

Esse talvez seja a grande polêmica envolvida no livro: mostrar personagens jovens na posição de adultos. Não somente na visão controversa de estudantes do ensino fundamental usarem armas de fogo e foices para matar uns aos outros, mas também em toda uma questão de sexualidade, crueldade e desvio de caráter.

Essa temática abordada em Battle Royale resultou na exclusão da participação do livro no Japan Grand Prix Horror Novel em 1997. A obra, que ainda não fora publicada na época, conseguiu chegar as finais, mas devido ao seu conteúdo foi desclassificada.

SCENE FROM CONTROVERSIAL JAPANESE FILM BATTLE ROYALE

Outra polêmica que surgiu, foi a respeito da semelhança entre a história de Koushun Takami e a série Jogos Vorazes de Suzanne Collins, lançada em 2008 nos EUA.

Mesmo com uma premissa parecida, as obras possuem diferenças bem acentuadas. Ao contrário de Jogos Vorazes, os personagens que se enfrentam na arena de Battle Royale, já se conheciam, e levam para o campo de combate histórias não terminadas, romances já iniciados, e segredos que ainda precisam ser revelados, em um verdadeiro sistema de ajuste de contas e corrida contra o tempo.

Outro fato interessante envolvendo o livro, é que o autor não escreveu mais nada depois de Battle Royale. E quando questionado sobre isso em uma entrevista para o jornal Folha de S. Paulo, a resposta foi categórica: “Bom, tentem vocês mesmos adivinhar os motivos.”

O verdadeiro Battle Royale 
É importante frisar o caráter político que a obra apresenta. Em um determinado momento do livro, um certo personagem declara que não existe nada pior do que um sistema fascista bem sucedido. A República da Grande Ásia Oriental é exatamente assim, um sistema autoritário que usa a violência como principal forma de controlar a população. O próprio jogo é uma forma disso acontecer. Lá o rock é proibido, a internet e determinados livros são restritos, e a população não participa da política.

Dessa forma o livro faz uma alusão aos sistemas políticos que se destacaram pela Europa no século XX, como na Alemanha de Hitler. A própria figura de um líder extremamente poderoso, típico nesse sistema foi exemplificada no livro: O prêmio que o estudante vencedor do Battle Royale ganha, é um cartão autografado pelo líder.

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Guardada as devidas diferenças, podemos até citar a Ditadura Militar ocorrida no Brasil, que completou 50 anos em 2014. Com a chegada dos militares ao poder, a violência, a repressão, a tortura e censura tornaram-se práticas naturais por aqui, assim como na República da Grande Ásia Oriental no livro.

É impossível negar a crítica que o autor quis fazer a esse sistema, e principalmente alertar as futuras gerações para que esses fatos do passado não se repitam.

No Brasil
A edição brasileira, lançada pela editora Globo Livros está impecável. Além da qualidade gráfica, o livro possui uma excelente tradução e revisão. A capa apresenta alto-relevo, e na contracapa temos um mapa da ilha e os quadrantes proibidos.

Para divulgação do livro, a editora levou ás livrarias uma poça de sangue falsa, armas e avisos inusitados:

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Tradução: Jefferson José Teixeira
Páginas: 664
Formato: 16cm x 23cm
ISBN: 9788525056122
Preço: R$ 49,90
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